Recife, 13 (AE) - O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, pode estar exonerando o superintendente da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Aloísio Sotero, mas este não pediu para sair. A informação foi dada hoje pela Assessoria de Imprensa da Sudene, que garante que Sotero não pediu demissão nem verbalmente, nem por escrito e nem recebeu comunicado de uma eventual exoneração. O superintendente preferiu só dar entrevista sobre o assunto depois do pronunciamento do ministro.
Caso o superintendente seja demitido sem aviso, não terá sido a primeira vez que o ministro toma uma decisão sem falar com ele antes.
No fim de agosto, por exemplo, Bezerra anunciou que iria reduzir o quadro da Sudene em pelo menos 50%, pegando de surpresa e desagradando ao superintendente.
Na semana passada, Sotero questionou o corte. Ele defende, primeiramente, uma definição da agência de desenvolvimento em que a Sudene deve se transformar, para só então se pensar numa adequação de pessoal, com eventual redução de funcionários.
"Não adianta se demitir pessoas se não se modificam os fins, da mesma forma que não adianta se manter pessoas sem mudar suas expectativas", afirmou o superintendente, ao desaprovar um corte pelo corte, apenas como uma forma de satisfazer a opinião pública.
Ele ressalta que não se pode fazer, na Sudene, "uma maquiagem do nada" e prega mudanças administrativas e orçamentárias que dêem ao órgão reais condições de ajudar a promover o desenvolvimento econômico do Nordeste. Entre elas, a modernização do atual sistema de incentivos fiscais (Finor), flexibilidade de gestão e um plano de valorização do servidor, com ascensão salarial e aperfeiçoamento do conhecimento técnico.
O atual modelo da Sudene está esgotado, há necessidade de uma reestruturação visando a uma nova realidade econômica e política da região, mas, segundo ele, não se pode simplesmente extinguir o órgão, que tem grande importância na luta pela redução das desigualdades regionais.
Ele insiste que o Nordeste não é um sumidouro de incentivos fiscais (recebe apenas 11% da renúncia fiscal do País
contra 70% do Sul e Sudeste) e que a região tem respondido positivamente aos investimentos feitos com os incentivos fiscais. Ele lembra que 60% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) da região advém de empresas atraídas pelo Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor). Ele frisa que, há muito tempo, não mais existe na Sudene o uso de recursos para beneficiamento político, a exemplo do Finor dos projetos agropecuários sem controle, que deram margem a corrupção.
Hoje, grandes grupos empresariais - Votorantim, Grendene
Gerdau, Gessy Lever, Carrefour, entre outros, usam o Finor para se instalar na região.
Por enquanto, o novo formato da autarquia ainda é uma incógnita. A Sudene criou um grupo de trabalho para estudar um modelo de agência de desenvolvimento federal, ainda inexistente no País, com base em experiências de outros países. Sotero imagina uma agência de atração e promoção dos investimentos públicos e privados na região, especialmente na infra-estrutura, fator de impacto na economia.

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