Superintendente da PF de AL nega tortura
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de fevereiro de 1999
Por Ricardo Rodrigues (especial para a AE) 
Maceió, 27 (AE) - O superintendente da Polícia Federal (PF) em Alagoas, delegado Bergson Toledo, também negou hoje que o pistoleiro Mendonça Medeiros da Silva tenha sido torturado por agentes da Polícia Civil do Estado. O delegado Adolfo Raquel Machado, da PF em Marabá, no Sul do Pará, já havia negado hoje a tortura. De acordo com Toledo, não procede a denúncia feita pelo deputado federal Talvane Albuquerque (PTN-AL), de que Silva acusou os assessores dele de autores materiais do assassinato da deputada federal Ceci Cunha (PSDB), sob tortura. "É conversa dele", afirmou Toledo, acrescentando que Albuquerque quer tentar descaracterizar um depoimento importante que o compromete.
"Todos os assessores de Talvane Albuquerque presos pela PF até agora passaram por exames de corpo delito para comprovar que falaram sem que sofressem nenhum tipo de agressão", informou Toledo. Segundo ele, Silva passou por exames de corpo delito sábado (13), em Marabá e na madrugada de domingo (14), no Instituto Médico-Legal (IML) de Maceió, logo após o desembarque no Aeroporto Zumbi dos Palmares. "Nos dois exames, não foi constatada nenhuma lesão provocada por agressão física", garantiu.
Para o delegado Paulo Brás, que preside o inquérito da morte da deputada, a denúncia de tortura feita por Albuquerque é mais uma atitude de desespero de quem está encurralado. "Além dos exames de corpo delito, estamos colhendo depoimentos na presença de um promotor de Justiça e de um advogado indicado pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para evitar reclamações desse tipo", afirmou o delegado, acrescentando que o depoimento de Silva em Marabá foi acompanhado por um advogado e um promotor de Justiça do Pará.
Brás confirmou que fará a reconstituição da chacina da qual foi vítima a deputada e mais três parentes dela. Segundo ele, a reconstituição ainda não tem data marcada, mas será feita após a acareação entre Silva e os assessores de Albuquerque. "A acareação e a reconstituição dependem da transferência do Jadielson Barbosa e do Alécio Alves, de Brasília para Maceió", afirmou o delegado, que pediu a transferência à PF.
Segundo o delegado, quando depôs em Marabá, Silva confessou o envolvimento no crime e apontou Jadielson, Alves e José Alexandre da Silva ("Zé Piaba") como autores materiais da chacina. Dos três, apenas "Zé Piaba" está em Maceió, preso no Tático Integrado do Grupo de Operações Especiais (Tigre), com o irmão Joel Alexandre da Silva e Mendonça Medeiros da Silva. Todos em celas separadas.
De acordo com informações extra-oficiais, Brás pretende ainda colocar frente-a-frente a principal testemunha do crime, Ironildo Maranhão Pureza, com os assessores Jadielson e Alves.
Segundo essa mesma fonte, em depoimento à polícia, Pureza teria reconhecido os dois por meio de fotos e confirmou a participação deles na chacina. A testemunha é irmão de uma das vítimas, Iran Maranhão Pureza, e estava na casa onde ocorreu a chacina, na noite de 16 de dezembro.
Além de Iran, Pureza perdeu a mãe, Ítala Neide Maranhão Pureza. Ela foi morta como a deputada, com um tiro de espingarga calibre 12 no pescoço. Depois da chacina, Pureza mantém-se escondido, protegido pela família, sem querer falar com ninguém, com medo de retaliações. Na noite do crime, ainda atordoado com os tiros, ele deu declarações à imprensa dizendo que os pistoleiros quiseram entrar na casa para matar quem estivesse lá dentro. A chacina ocorreu na varanda da casa.


