Cheiro de maçã, gosto de queijo, som de música, colorido de blusas. Isso e muito mais pode ser encontrado na feira da Avenida Saul Elkind (Zona Norte). Todo domingo pessoas de várias idades passam e movimentam o comércio no local. Na verdade, na avenida concentram-se três feiras: produtor, Paraguai e Livre. A organização estima que, em cada banca, entrem pelo menos R$ 200 a cada domingo de feira.
Comprar café em grão é o que atrai a dona de casa Maria Ribeiro, 53 anos, para a feira. Ela examina os grãos com cuidado. Observa se têm impurezas, se estão verdes e até se os grãos são grandes. Depois de olhar em uma barraca, Maria vai fazer pesquisa para comparar os preços. De posse de dois quilos de café, a dona de casa explica que torra e moe os grãos. O resultado, segundo ela, seria um café mais gostoso e puro. ''Nunca comprei café de outro tipo. Torrar os grãos é uma tradição na minha família'', lembra.
Batata paulista, toucinho paranaense, goiabada mineira. Tem um produto de cada Estado na banca da feirante Herondina Nagai, 58 anos. Para a paulista que trabalhou em São Paulo por 30 anos como feirante, viajou para o Japão na esperança de melhorar de vida, enfrentar a rotina de feira na Zona Norte é fácil. A atividade foi uma alternativa de renda encontrada por ela e pelo marido já que eles, segundo Herondina, não encontraram trabalho como empregados por causa da idade.
Oferecendo pedaços de queijo para agradar os clientes, Herondina tem desde compota até carne defumada. Os preços variam de R$ 2,5 a R$ 13 reais. Para quem monta a barraca às 5 horas e fica até as 13 horas em pé, a vantagem da feira é o pagamento feito na hora. '' A gente vende pouco mas tudo à vista'', ressalta.
Na avenida tem espaço para que tudo esteja funcionando no domingo, desde o comércio formal que mantém as portas abertas, até o artesanato que se instala na feira. Cada arte é diferente, tem o seu valor e a devida dificuldade. Maria José de Almeida faz tapetes. Ela conta que mesmo com a ajuda dos filhos demora mais de um dia para costurar os tecidos e fazer um jogo (duas peças pequenas e uma grande). Cleide Oliveira encontrou na pintura e no biscuit uma forma de se livrar do serviço estressante e adquir renda. Segundo a sócia de Cleide, Milene Carla Novelli, ''a feira é uma forma de vitrine na qual os produtos são expostos e a os contatos com os clientes são feitos,'' afirma.
O feirante Durval de Andrade, 58 anos, pendura os saquinhos de mel, chocolate, doce-de-leite e leite condensado na armação da banca. Com a claridade, os doces parecem uma cortina que reflete a luz e agrada aos olhos. Mas a intenção é encher o estômago dos consumidores e o bolso do feirante. Segundo Andrade, que há seis anos tem barraca no local, a principal vantagem é a visibilidade dos produtos no local. Ele produz, embala o mel e tem uma marca própria para o produto.
Batata para cá, batata para lá. Batata em todas as barracas e de todos os preços. Maria Lucia Riquena, 39 anos, vende cebola, alho e batata. Sendo que o tubérculo ocupa 90% do espaço e é o rei nas vendas. Maria entende de batata. Trabalha há 10 anos vendendo o produto. Na banca dela tinha dois tipos: binge e branca. A branca estava com seis preços diferentes, a variação de valores acontece de acordo com a qualidade do produto. ''As mais bonitas são R$ 1 o quilo. A mais barata é R$ 0,50. Mas todas são boas,'' explica.
Nas primeiras horas da manhã andar pela feira é agradável aos olhos, um prazer de aromas e uma imensidão de espaço. As donas de casa desfilam com carrinhos vazios à procura dos melhores preços. Pelas 10 horas, o sol já quente atrai desde crianças interessadas nas bonecas importadas até idosos que procuram pelos famosos pastéis fritos na hora cujo cheiro de gordura se espalha pelo local. Por volta das 11 horas, andar pelo estreito caminho entre as bancas é um exercício de paciência. Os carrinhos de rodas das donas de casa já estão cheios, o espaço entre as barracas está abarrotado de gente, o calor é intenso e chegar ao expositor de uma banca para observar as mercadorias sem levar uma trombada torna-se improvável.
Lá quase pelo meio dia, o produtor que vendia galinhas ainda tinha algumas penosas. Sete, esperando a morte chegar. ''Aqui na feira o destino das galinhas é a panela'', esclarece o feirante José Calisto de Oliveira Filho, 28 anos.

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