Superbactéria fecha, de novo, PS e UTI do HU
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quarta-feira, 28 de julho de 2010
Luciano Augusto<BR>Reportagem Local 
Quase um ano e meio depois de ter causado sérios transtornos, a bactéria multirresistente aos mais potentes antibióticos disponíveis - a ''Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC)'' - voltou a provocar o fechamento do pronto-socorro e a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário (HU) de Londrina e restrição de visitas. Ao todo, 27 pacientes estão colonizados, sendo que um deles não respondeu a nenhum antibiótico. Com a interrupção do atendimento, 200 pacientes por dia terão que ser encaminhados aos demais hospitais do município, que normalmente já trabalham no limite da capacidade. No início do ano passado, esta superbactéria já havia provocado o fechamento do hospital por um mês. Caso provoque alguma infecção, ela pode até levar à morte.
A diretora superintendente do HU, médica Margarida Carvalho, explicou que a bactéria é geneticamente idêntica à que foi identificada no hospital no ano passado. Mesmo com a desinfecção realizada na ocasião, ela resistiu sob controle no ambiente hospitalar. Na última sexta-feira, porém, a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) detectou um aumento repentino no número de pacientes infectados: 16 ao todo. Na segunda, subiu para 23 e ontem já atingia 27 pacientes. Em um deles, um homem em estágio terminal, a KPC se mostrou resistente até mesmo ao antibiótico mais potente indicado no combate à essa bactéria. Nenhum dos pacientes teve seu estado de saúde agravado por conta disso.
A KPC é transmitida por contato ou por gotas de saliva e ataca principalmente os pulmões e o trato urinário. Por isso, pode provocar graves pneumonias ou infecções urinárias e até levar à morte.
Para evitar que a bactéria se alastre e facilitar a desinfecção dos ambientes contaminados, a direção do HU decidiu interromper o atendimento nos prontos-socorros médico, cirúrgico e na obstetrícia, e restringir a internação na UTI. Os pacientes infectados estão isolados mas o risco é grande por causa da superlotação. O PS do HU tem capacidade para 48 pacientes mas ontem atendia 74, sendo que sete deles aguardavam leito em UTI.
Em razão da gravidade da situação, as visitas foram restritas a apenas uma pessoa por paciente. A medida visa baixar o fluxo de pessoas circulando no hospital, que em dias normais chega a cinco mil. ''Orientamos também para que funcionários e visitantes redobrem os cuidados com a higienização das mãos, dos locais de atendimento e dos leitos e evitem o contato físico'', reforçou a superintendente do HU.
A superbactéria KPC chegou ao HU em fevereiro do ano passado, trazida provavelmente por um paciente recambiado de um hospital de Goiânia (GO). Ele foi tratado e liberado, mas em abril do mesmo ano a direção do HU teve que fechar o PS e as UTIs por um mês até que tudo fosse desinfectado. Na ocasião, a bactéria foi encontrada em 16 pacientes mas não provocou infecção em nenhum deles.


