Brasília, 14 (AE)- O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, disse que considerou muito bons os resultados primário e nominal divulgados hoje pelo BC. Segundo ele, eram números esperados. No caso do superávit nominal, de quase R$ 12 bilhões, o resultado reflete a reversão do processo de desvalorização do câmbio, que resultou no primeiro superávit nominal da história, que será mantido enquanto houver valorização cambial. Ele disse que o superávit nominal se deve também ao resultado primário. O governo central fechou o trimestre com uma folga de R$ 3 bilhões acima dos R$ 6 bilhões acertados com o FMI. Ele disse que, no caso do FMI, os números asseguram que todas as metas deverão ser cumpridas. Ele informou que a outra meta de desempenho, que é o crédito doméstico líquido, foi cumprida com folga. Outra meta que foi atingida, mas de caráter indicativo, foi a de redução da dívida líquida total. A meta indicava um valor de R$ 505 bilhões e a dívida encerrou o trimestre somando R$ 470 bilhões. Lopes lembra que houve receitas extraordinárias no período, como receita de concessão. Mas ressalta que se comparado com o primeiro trimestre de 1998, o primeiro trimestre de 1999 apresentou um resultado bastante significativo.
Meta com FMI - Segundo Altamir, pela primeira vez na história, o Brasil está cumprindo as metas acertadas no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Foi cumprida a meta do primeiro trimestre de resultado primário, que era de R$ 6,006 bilhões, e chegou a R$ 9,235 bilhões. Na segunda-feira, Altamir Lopes anunciará o resultado sobre o crédito doméstico líquido para abril, que, segundo ele, também está dentro da meta acertada com o Fundo.
O chefe do Depec lembrou que, no trimestre, houve receitas extraordinárias, mas mesmo assim, afirmou, elas estavam previstas no acordo com FMI, em sua maior parte. No caso do resultado nominal, que registrou, pela primeira vez, um superávit de R$ 11,915 bilhões em março, Altamir explicou que o desempenho foi permitido pela valorizaçãp cambial. No mês, a conta de juros ficou positiva em R$ 7,02 bilhões por conta dos títulos indexados ao câmbio. Ele disse que este foi um resultado contábil, assim como o resultado de janeiro, de um déficit de R$ 52,388 bilhões. Para os próximos meses, segundo Altamir, a tendência é também de redução na conta de juros, por conta da valorização cambial e da trajetória de queda de juros, que foi iniciada a partir de abril.

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