Superávit comercial não deve superar US$ 2 bilhões no próximo ano, avaliam exportadores
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sábado, 06 de novembro de 1999
Por Isabel Dias de Aguiar 
São Paulo, 07 (AE) - O superávit da balança comercial em 2000 não deverá superar US$ 2 bilhões, segundo estimativa de exportadores. Para os analistas desse setor, no entanto, poderá chegar a US$ 7 bilhões. A disparidade de valores é motivada pela divergência na interpretação do comportamento do mercado internacional nos próximos meses. Segundo os analistas, a valorização das principais commodities e a recuperação de alguns mercados, especialmente os do sudeste da ásia, deverão dar impulso extra às exportações brasileiras.
A estimativa é de que o valor das vendas deverá crescer 3,4% no próximo ano, o que representa uma grande oportunidade para o Brasil conquistar uma parcela desse mercado adicional. Muitos exportadores, porém, continuam desanimados quanto aos resultados em 2000 - seja pela dificuldade em obter crédito para financiar seus negócios no exterior, seja pelos obstáculos em alcançar o mercado internacional, após o distanciamento dos clientes estrangeiros imposto pela valorização cambial. Apesar de estarem se organizando por meio da formação de consórcios, muitos empresários não vêem avanço na participação de seus produtos na pauta de exportação brasileira.
Ao menos num ponto os exportadores concordam. Neste ano, não será possível alcancar o superávit previsto e prometido pelo governo nas negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Tampouco acreditam que o País alcançará em três anos a meta de US$ 100 bilhões em receita com exportações.
Até outubro, o déficit acumulado da balança comercial estava em US$ 921 milhões e, no fim do ano, segundo os empresários, poderá acumular US$ 1,5 bilhão. O resultado dos dez primeiros meses de 99 é, mesmo assim, considerado positivo, pois até ficou abaixo da diferença entre importações e exportações de um único mês, outubro do ano passado, que foi de US$ 1,024 bilhão. Na época, o valor acumulado estava em US$ 4,836 bilhões.
O otimismo com a balança em 2000 está sendo motivado muito mais pela queda das importações do que pelos ganhos com exportações, diz o vice-presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB), Giulio Lattes. As importações caíram 16 9%, em valor, de janeiro a setembro, enquanto as exportações caíram 11,2%.
As exportações foram prejudicadas pela queda das cotações das commodities no mercado internacional. O valor acumulado das vendas externas de produtos como café, soja, papel e celulose, açúcar e minério de ferro caiu 13,3% entre janeiro e setembro, em relação ao mesmo período do ano passado, embora o País tenha exportado volume até maior de produtos que em 1998.
Os produtos industrializados sofreram desvalorização de 11,1% no período. Apenas os semi-elaborados tiveram perda menor: 7,8%, isso graças ao suco de laranja, cujo preço ficou estabilizado, mas à custa da contenção do volume das exportações promovida pelas indústrias brasileiras de suco.
Esse quadro poderá mudar nos próximos meses. Há uma tendência de recuperação dos preços dos produtos básicos no mercado internacional, resultado da redução dos estoques nos países consumidores, do retorno dos países do sudeste asiático ao mercado e, em alguns itens, da queda da produção.
Isso já está sendo sentido pelos agricultures brasileiros. Levantamento dos Instituto de Economia Agrícola, da Secretaria das Agricultura do Estado de São Paulo, indica que o crescimento acumulado dos preços agrícolas até outubro foi de 12 95%. Em 12 meses, a alta foi de 16,63%, demonstrando que o ganho não é pelo efeito sazonal, mas pela recuperação das cotações no mercado internacional e pelo efeito da desvalorização cambial em 64%.
No que diz respeito ao comércio exterior, o ganho dos preços agrícolas é ainda modesto, segundo o diretor-executivo da AEB, José Augusto de Castro. Para ele, a recuperação dos preços no mercado interno não reflete a situação real do mercado internacional. Ele lembra que, em dólar, as cotações das principais commodities continuam aquém das de período anterior à crise da Rússia.
Mas a valorização dos produtos básicos tem pequeno efeito nos resultados da balança por causa do baixo valor agregado desses produtos. Lattes diz que a participação do País no comércio exterior é prejudicada pela pequena oferta de produtos de tecnologia avançada.


