Tóquio, 21 (AE-DOW JONES) - O superávit comercial do Japão encolheu 31,5% em maio sobre o mesmo mês do ano passado por causa do crescimento na atividade econômica doméstica, que estimulou a demanda por produtos importados, enquanto a desaceleração na Europa e o iene mais forte pesaram sobre as exportações. O declínio de 31,5% é maior desde agosto de 96.
O Ministério das Finanças informou que o superávit comercial em maio foi 834,34 bilhões de ienes (US$ 6,8 bilhões), abaixo da previsão dos analistas, que projetavam, na média, saldo de 947,8 bilhões de ienes. O politicamente sensível superávit com os EUA, no entanto, cresceu 14,9% para 522 bilhões de ienes. Em maio, as exportações totais do Japão caíram 11,8% para 3,565 trilhões de ienes, enquanto as importações recuaram 3,3% para 2,730 trilhões de ienes.
Depois de cinco trimestres de contração econômica, a economia japonesa registrou expansão no trimestre janeiro-março, com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo 7,9% em termos anualizados. Os dados divulgados hoje mostraram que o declínio nas importações continuou em desaceleração, em parte por causa da recuperação da demanda doméstica. As importações caíram 3,3% sobre maio do ano passado, depois de caírem 4,6% em abril e 10 6% em março.
Uma sensível recuperação nas importações da ásia é a tendência mais evidente nos últimos meses. Depois de as importações da região asiática terem caído substancialmente por mais de um ano, o recente avanço nas atividades econômicas e as condições de crédito facilitadas em muitos dos países da área permitiram que os exportadores produzissem mais bens para venda externa. As importações da ásia cresceram 7,7% em maio, depois de subiram 1,4% em abril e caírem 7,1% em março.
Os analistas se mostram céticos, no entanto, de que o Japão possa se tornar um grande importador, uma vez que o crescimento econômico visto no primeiro trimestre de 1999 provavelmente não será sustentado. "Com o crescimento econômico projetado em cerca de 0%, em termos reais, para este ano fiscal, não podemos esperar um aumento significativo nas importações", disse Yamazaki Mamoru, economista sênior do Paribas Capital Markets Ltd. em Tóquio.
As exportações para a Europa caíram 17,5%, o que contrasta com os aumentos de dois dígitos em boa parte do ano passado. O ritmo do declínio acelerou, de queda de 7,8% em abril e 3,5% em março. Segundo os economistas, boa parte do declínio nas exportações para a Europa se deve à estagnação da demanda na região.

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