Superávit comercial de US$ 11 bi não será atingido, admite Fraga
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domingo, 02 de maio de 1999
Por Denise Neumann 
São Paulo, 3 (AE) - O governo não espera mais alcançar um superávit de US$ 11 bilhões na balança comercial deste ano e está revisando esta meta. A informação foi dada hoje pelo presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Apesar de projetar um superávit menor, ele ainda espera um déficit em conta corrente inferior a US$ 20 bilhões.
Fraga admitiu ainda a possibilidade de revisar, novamente, sua estimativa para a queda do Produto Interno Bruto (PIB). "Eu não me surpreenderia se ela ficar abaixo de 2%", disse ele. Na semana passada, nos Estados Unidos, ele estimou a recessão em 2%, metade dos 4% previstos na revisão do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) feita em março.
Fraga explicou que a recessão menor - que implica em maior volume de importações - é principal razão para a redução das metas de superávit comercial. A segunda razão - segundo relatou aos participantes de almoço promovido pelo Instituto Brasileiro de Executivos Financeiros (Ibef) - é que está ocorrendo uma "deterioração das relações de troca" do Brasil. "Os preços mundiais dos produtos que exportamos estão caindo sem a contrapartida da redução dos preços dos itens que importamos", afirmou.
Fraga disse que ocorreu uma "importante perda de linhas de financiamento do comércio exterior" no início da crise cambial e que esta perda foi de "20% ou mais". Essa perda, explicou, atingiu mais os pequenos e médios exportadores.
Fraga ponderou que a equipe econômica já agiu - durante as visitas que fez a investidores norteamericanos e europeus - para reverter essa situação. "E agora, a melhor resposta do governo é uma boa administração da política macroeconômica", argumentou.
Segundo ele, há boas notícias na economia neste sentido, como a expectativa de uma inflação ao consumidor em torno de 10% este ano e queda do PIB entre 2% e 3%, segundo cotações médias colhidas pelo BC junto a analistas econômicos.
Dívidas - Na palestra que fez aos executivos financeiros
Fraga defendeu o programa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que prevê a emissão de títulos para a reestruturação das dívidas de cerca de 90 empresas brasileiras que lançaram bônus no exterior. Na sua avaliação, a adesão a este programa - que é voluntária - seria muito mais concorrida se ele tivesse sido lançado há três meses.
"Hoje ela já será menor", ponderou, acrescentando que a empresa que está sendo organizada pelo BNDES vai adquirir os títulos no mercado secunário, com desconto. "Na medida em que o mercado de títulos brasileiros for se recuperando, não haverá mais sentido nesta operação", avaliou.
Política monetária - Sem dar detalhes, Fraga informou que a proposta de funcionamento da nova política será concluída até o fim de maio e o mês de junho servirá como período de teste de uma "experiência piloto".
O novo sistema deve começar em julho, disse Fraga. O novo modelo prevê a definição de metas de inflação, a exemplo do que ocorre em vários países industrializados.
Ele argumentou aos executivos financeiros que não está colocada a discussão sobre a unificação da moeda no Mercosul e também disse que o BC não agiu no mercado de câmbio com o objetivo de controlar a queda na taxa cambial. "Nosso objetivo não é impedir a queda ou a apreciação do câmbio, mas zelar pelo funcionamento do mercado neste período de transição", disse.
O presidente do BC reafirmou ainda que não acredita em um modelo de intervenção cambial. "O mercado tem que se desenvolver e, à medida que isso ocorra, em que ultrapassemos essa fase de transição, a presença do BC neste mercado vai desaparecer."


