São Paulo, 21 (AE) - A balança comercial voltou a registrar déficit ontem (20), de acordo com números extra-oficiais obtidos junto a fontes do mercado financeiro. O saldo ficou negativo em US$ 29 milhões (exportações de US$ 169 milhões contra importações de US$ 198 milhões). No mês, a balança continua superavitária, agora em US$ 158 milhões.
Embora a expectativa seja de que o mês de julho deve fechar com um saldo comercial positivo, o resultado parcial preocupa os analistas. Em primeiro lugar, porque, novamente, o saldo positivo está recuando ao longo do mês.
Além disso, o superávit acumulado até aqui é atribuído à queda das importações, que estão cerca de 25% abaixo do resultado de julho do ano passado, e não a uma melhora das exportações. As vendas ao exterior continuam registrando recuo de aproximadamente 12% em relação a julho de 1998.
Para os especialistas, não há por enquanto qualquer sinal de que esse quadro venha a ser revertido no curto prazo. O economista chefe do Lloyds Bank, Odair Abate, observa que em alguns setores, como o de calçados, têxteis e de brinquedos, há notícias de melhor desempenho no mercado externo. Mas ainda são movimentos pontuais, de empresas específicas.
"Esses setores têm resposta mais rápida à mudança no câmbio. Mas, ainda assim, não a recuperação não é generalizada e não pode produzir efeito direto no resultado da balança comercial", afirma Abate.
O economista Francisco Petros, da Nix Asset Management, também considera que qualquer notícia sobre exportações em crescimento é pontual e dificilmente serve como sinalizador para uma recuperação consistente da balança. Para ele, o único fator favorável à ampliação das vendas ao exterior hoje é a alta do dólar - o que já mostrou ser insuficiente.
"Estruturalmente, não há nenhum outro fator que justifique o crescimento das exportações", afirma, citando o aumento da tributação das empresas, aumento de custos, sobretudo os cotados em dólar, e ausência de incentivo de natureza fiscal às companhias exportadoras.

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