Superando limites nos Andes
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sábado, 16 de julho de 2011
Fernanda Borges <br> Reportagem Local 
Eles fumaram praticamente a vida toda e nos últimos tempos levavam uma vida tomada por estresse do trabalho, sedentarismo e consequentemente, ganho de peso. Motivamos por ''sinais'' do destino e pela vontade de mudar, os irmãos Rodrigo Tramontina, 40 anos e Diego Tramontina, 37, resolveram radicalizar numa decisão: traçaram como meta completar a prova Cruce de Los Andes que totaliza 106 km em três dias entre a Patagônia Chilena e a Argentina. Além de buscarem viver essa grande aventura, os irmãos fizeram do desafio um verdadeiro objetivo para se entregarem totalmente ao esporte.
A prova vai acontecer só em 2012, mas os treinos já começaram há cinco meses. Rodrigo, que é engenheiro agrônomo, lembra um dos primeiros sinais que o motivou a dar início na idéia. ''Por pelo menos umas três vezes em viagem a trabalho para a Argentina me deparei com brasileiros treinando para essa prova. Mais de uma vez com as mesmas pessoas. Numa outra ocasião liguei a televisão e coincidentemente assisti um documentário falando sobre o desafio. Então achei que era a hora de encarar. Falei com meu irmão e ele topou'', comenta.
Cada um tem um treinador, mas ambos passam por atividades físicas cinco vezes na semana com treinos que envolvem musculação, aeróbico, resistência, força, além do acompanhamento com profissionais como nutricionista, ortopedista, fisioterapeuta e cardiologista. Diego diz que, para a mãe da dupla, o irmão teve uma ''idéia iluminada'' pois, segundo ela, mudou totalmente a vida da família e amigos pra melhor. ''Parei de fumar em setembro do ano passado e hoje já sinto a diferença da qualidade de vida que já estou tendo'', comenta
Superação - Disputada em duplas, a prova deverá ter cerca de 300 equipes, muitas delas brasileiras. Em sua 14 edição, ela mexe com os apaixonados por aventura, pois o trajeto envolve subidas e descidas, além de contar com momentos em que os corredores deverão passar ao lado de um vulcão a 2,4 mil metros de altitude. Além disso, a temperatura na época não deve passar de 10 graus, com mínimas de até menos quatro duranta a noite.
Para Rodrigo, que só conseguiu abondar o cigarro dias antes de começar com os treinos, participar dessa prova significa ir além da resistência física. Ela o coloca principalmente diante de uma grande dificuldade: desafiar a si mesmo. ''Confesso que para mim ainda é difícil ficar sem fumar, mas a prova me serve de estímulo e me força a manter minha disciplina para conseguir. Hoje em dia sou outra pessoa. Antigamente eu ficava de mau humor se não fumava ou não bebia, hoje fico mau humorado quando não saio para treinar'', finaliza.


