Washington, 13 (AE) - Três dias depois de o governo da Alemanha ter anunciado que a União Européia apóia a candidatura de seu vice-ministro das finanças, Caio Koch-Weser, para o posto de diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, apenas para ser imediatamente desmentido pela Inglaterra e pela França, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Lawrence E. Summers sinalizou hoje (13) a falta de entusiasmo de Washington em relação ao alto funcionário alemão.
Koch-Weser nasceu no Brasil e fez carreira no Banco Mundial, onde chegou a vice-presidente. Tradicionalmente o chefe do FMI é um europeu, mas os Estados Unidos, como maior acionista da instituição, têm poder de veto.
"Não ouvimos nada de formal da Europa", afirmou Summers. "Como dissemos várias vezes, o que é importante é ter a melhor pessoa possível para liderar o FMI."
Mas o secretário do Tesouro deixou patente que a candidatura não empolga os Estados Unidos ao detalhar, pela primeira vez, o perfil do ocupante da vaga aberta pela renúncia do francês Michel Camdessus.
"Acreditamos que as dimensões cruciais que qualquer futuro diretor-executivo do FMI deve trazer são uma comprovada habilidade de liderança, forte experiência na área financeira que representa o coração da missão do FMI, a capacidade de mobilizar apoio ao redor do mundo como escolhido (para o cargo) e um compromisso para continuar a adaptar e reformar o FMI à medida em que as condições econômicas e financeiras mudem."
O Japão e vários países asiáticos, bem como pelo menos dois na América Latina - México e Chile - já indicaram que não apóiam Koch-Weser.
Diante da observação de um jornalista de que Koch-Weser não se encaixa no perfil que ele acabara de descrever, Summers disse que não entraria "em questão de personalidade". Mas ao ser perguntado sobre se os Estados Unidos continuam a apoiar a tradição de deixar à Europa a iniciativa da seleção do candidato ao diretor-gerente do FMI, o secretário do Tesouro sinalizou que a disputa continua em aberto e reiterou os critérios que Washington quer ver seguidos na escolha do sucessor de Camdessus.
"O que é sempre mais importante é ter uma pessoa de primeira categoria, a pessoa mais forte possível para um posto vital", disse ele. "Há vários nomes", acrescentou. "Um europeu de primeira categoria que preencha esse critério seria satisfatório para nós."
A busca de um novo diretor-gerente para o FMI será um dos temas das conversas informais entre os ministros que participarão, quarta e quinta-feiras, em Berlim, da primeira reunião do Grupo dos 20. Trata-se de novo foro de discussão sobre os problemas econômicos e financeiros internacionais criado durante a última reunião anual do FMI com o objetivo a integrar países em desenvolvimento e em transição dos antigos regimes comunistas da Europa na construção de um novo quadro institucional que previna crises financeiras como as que ameaçaram a economia mundial, a partir da quebra da ásia, em meados de 1997.
O Brasil é membro do G-20 e será representado na reunião pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, e pelo presidente do Banco Central, Armínio Fraga.
A caminho de Berlim, Summers fará hoje, na London School of Economics, um discurso propondo que o FMI deixe de dar assistência permanente aos países e retorne à sua missão original de bombeiro do sistema financeiro internacional, limitando o escopo de suas intervenções.
Embora não esteja oficialmente na agenda do G-20, a reforma do FMI deverá ser discutida em Berlim. Camdessus, que também participará do encontro na capital alemã, manifestou ontem sua oposição à proposta americana.
Ele disse, em entrevista a uma publicação interna do FMI, que o plano do Tesouro levaria o Fundo "à irrelevância". Numa outra entrevista, ao jornal polonês Rzeczpospolita (República), o diretor-gerente disse que Koch-Weser "é um velho amigo" e fez-lhe elogios.
"A experiência dele em instituições internacionais é muito valiosa." Para Camdessus, que deixará o posto em meados de fevereiro, "o mais importante é que o candidato seja anunciado rapidamente, pois a instituição não pode ficar sem comando". O diretor-gerente do FMI não tem influência na escolha de seu sucessor.

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