Washington, 29 (AE) - O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Larry Summers, reiterou hoje (29) o veto americano ao nome do vice-ministro das Finanças da Alemanha, Caio Koch-Weser, para suceder o francês Michel Camdessus como diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), por não considerá-lo qualificado para o posto.
A decisão do Estados Unidos, que o presidente Bill Clinton comunicou por telefone ao chanceler Gerhard Schroeder, em conversa telefônica no sábado passado, inviabilizou a candidatura de Koch-Weser, um economista de 55 nascido no Brasil
que fez carreira no Banco Mundial. Sua candidatura foi endossada pela União Européia (UE), na segunda-feira.
Summers negou acusação do governo alemão segundo a segundo a qual Washington teria articulado o lançamento da candidatura atual diretor-gerente interino do FMI, Stanley Fischer, para travar o processo de escolha. Um judeu de origem russa nascido na Zâmbia, Fischer teve seu nome apresentado na semana passada por vinte países africanos e tem o apoio das nações do Oriente Médio.
"Não procuramos influenciar a posição de outros", afirmou o secretário do Tesouro. Ele disse que os EUA continuam a apoiar a tradição de manter um europeu à frente do FMI.
"As tradições existentes a respeito da seleção nos serviram bem, de modo que nossa esperança é que surja um candidato europeu que prencha o critério que descrevemos, ou seja, que tenha a estatura requerida, o grau de conhecimento especializado requerido, que tenha a capacidade de obter o consenso global e assumir o compromisso para fazer o que precisa ser feito no FMI e que não seja a escolha de apenas um continente, mas que inspire o respeito de todos os continentes."
Segundo o porta-voz do FMI, Thomas Dawson, em tese é possível, que os 24 diretores-executivos da organização, que falam pelos 182 países membros, iniciem eleições informais a partir de amanhã, para avaliar o apoio dos três candidatos. Mas ele lembrou que os diretores deverão manter a tradição de se eleger o diretor-gerente por consenso. Isso significa que uma votação formal só acontecerá quando todos os países chegarem a um acordo em torno de um nome.
Dentro de for a do FMI, a opinião dominante hoje era que o choque aberto entre os EUA e a União Européia pode prolongar por meses a interinidade de Fischer e processo de seleção e que resultará na eleição de um nome que não está hoje na disputa. Além de Koch-Weser e de Fischer concorre também o ex-vice-ministro das Finanças do Japão, Eisuke Sakakibara.
Com a sucessão de Camdessus no ar, Summers teve hoje que defender o FMI e o uso que a aminditração Clinton faz da organização perante o Congresso americano. "Essa instituição ajuda a promover um mundo mais estável", disse ele, respondendo ao bombardeio de críticas de alguns integrantes da Comissão de Relações Exteriores do Senado.
O presidente da comissão, o ultra-conservador Jesse Helms, da Carolina do Norte, ecoou as críticas que a esquerda costuma fazer ao FMI, em países ricos e pobres. "Da forma como funciona
o FMI é uma instituição destrutiva, que normalmente faz mais mal do que bem aos países que se propõe a ajudar", afirmou Helms. "Há um crescente sentimento de que talvez tenha chegado o momento, talvez, de se abolir o FMI."
Um estudo encomendado pelo Congresso a uma comissão de economistas sobre as instituições financeiras internacionais não chega a tanto. Mas o trabalho, que será divulgado na próxima semana, proprõe uma drástica redução das atividades do FMI e do Banco Mundial.
De acordo com informações que circulam há dias em Washington, uma das recomendações do trabalho é que o Banco Mundial deixe de fazer empréstimos à América Latina e à ásia e transfira essa tarefa aos dois bancos regionais de desenvolvimento, o Banco Interamericano (BID) e o Banco Asiático.
Summers, que se antecipou ao estudo e divulgou em dezembro passado um plano de reforma do FMI na mesma linha, confirmou hoje que a necessidade de mudanças que o executivo americano vê na atuação do Fundo influiu na decisão de Washington de vetar a escolha de Koch-Weser.