Summers inicia difícil missão de suceder Rubin Do correspondente Paulo Sotero
Washington, 25 (AE) - Dezesseis anos atrás, quando tinha 28, Lawrence H. Summers tornou-se o mais jovem professor da Universidade de Harvard a receber uma cátedra nos mais de dois séculos de história da instituição.
Empossado na sexta-feira (24) como septuagésimo primeiro secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Summers enfrenta, a partir de hoje, seu primeiro dia útil no novo posto, um desafio ainda maior.
Uma das vozes mais influentes nos primeiros seis anos e meio do governo Clinton e co-autor da política econômica que ajudou a criar as condições para a inigualável prosperidade que os Estados Unidos atravessam, ele quer provar que é possível ser um secretário do Tesouro efetivo e deixar sua marca nos 18 meses finais de um governo - de um presidente que, apesar da bonança econômica, não deve fazer o sucessor, se as sondagens de opinião estiverem corretas.
Dois outros fatores complicam o projeto de Summers. Seu antecessor e padrinho político, Robert E. Rubin, com o qual ele será inevitavelmente comparado, deixou Washington na sexta-feira praticamente canonizado pelo establishment e pela grande imprensa como o mais importante secretário do Tesouro desde Alexander Hamilton, um dos fundadores do país e primeiro ocupante do posto.
Além disso, Summers assume o comando do Tesouro com a economia no auge e, por isso mesmo, com mais chances de piorar do que de melhorar ainda mais.
Os céticos já começaram a se manifestar. Bruce Steinberg, economista-chefe do banco de investimento Merril Lynch & Co., disse ao Washington Post na semana passada que, apesar da grande influência que continuará a exercer, Summers, por causa das circunstâncias em que assume o comando do Departamento do Tesouro, "terá um poder realmente muito limitado além do de falar". Segundo Steinberg, "nos últimos 18 meses da administração, as tarefas do secretário do Tesouro estarão confinadas mais a eventos internacionais".
Nessa área, Summers tem seu primeiro compromisso na semana que vem, em Bruxelas, onde se reunirá com seus colegas do Grupo dos Sete países economicamente mais avançados para discutir a reconstrução do Balcãs e quem pagará a conta.
Ele deverá dizer que os Estados Unidos, que arcaram com mais de 80% do bombardeio que forçou as tropas sérvias a deixar a província de Kosovo, atribuem à Europa a responsabilidade de pagar pela reconstrução da região - e fazê-lo sem discriminar empresas norte-americanas interessadas em competir pelos contratos de infra-estrutura.
Com a crise financeira internacional em remissão, é plausível que Summers seja poupado de atuar novamente como bombeiro das finanças mundiais, e de coordenar novas operações de resgate financeiro de países à beira do colapso cambial para proteger bancos, investidores e a economia dos EUA do impacto de crises como as que traumatizaram o México, em 1995, os antigos tigres da ásia em 1997, a Rússia em 1998, o Brasil este ano e até hoje mantêm mais da metade do PIB mundial em recessão.





