Summers diz que sinais há sinais de superação da crise
Paris, 15 (AE) - O subsecretário do Tesouro norte-americano, Larry Summers, evitou hoje afirmar que a crise financeira da América Latina esteja superada e o pior já passou, lembrando que "não se pode cantar vitória antes da hora". A seu ver, a situação está sendo corrigida, pois os países têm feito esforços importantes, mas seria temerário dizer que não haverá problemas no futuro. No caso brasileiro, ele lembrou que o mais importante é o fato de o País estar seguindo políticas sadias, existindo um desejo de resolver seus problemas. Summmers não escondeu sua satisfação pelo fato de o Brasil ter firmado compromisso para que a comunidade internacional invista no País.
Ele procurou resumir a situação com uma frase: "Vamos esperar o melhor e planejar para o pior, mesmo porque é impossível prever o imponderável". Summers está convencido da eficácia das medidas como a aprovação de créditos do Grupo do Sete (G-7) países ricos para alguns países que podem ser atingidos pelo efeito contágio da crise.
Quanto à proposta da formação de um G-7 hemisférico na América Latina, sugestão feita pelo diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michel Camdessus, ele disse que os EUA apoiam esse "Comitê Hemisférico" sobre temas financeiros, mas antes de mais nada será preciso conhecer a forma como isso poderá ser feito.
Summers voltou a falar da dolarização, dizendo que esse é um tema de muitas consequências para qualquer país que imagina essa solução e salientando que a responsabilidade da Federal Reserve (Fed) está limitada às instituições norte-americanas.
Apesar disso, os EUA dispõem-se a manter conversações com qualquer país que pretenda seguir esse caminho. Na véspera, Summers já havia debatido essa questão com o ministro argentino da Economia, Roque Fernández, e a cúpula da equipe econômica argentina, em Paris, onde ocorre a reunião do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Durante o encontro, houve um seminário feito pelo Instituto Internacional de Finanças com a participação de seu vice-presidente, e também vice-presidente do Citibank, William Rhodes, seu diretor-gerente, Charles Dallara, e o responsável por América Latina, Frededrik Jospersen.
Dallara explicou que, quando se fala da América Latina, é preciso distinguir dois grupos de países: de um lado, Argentina, Chile e México, que no fim da década fizeram as reformas necessárias. Do outro, os que pouco fizeram nessa época: Brasil, Venezuela e Equador. Esse grupo, segundo Dallara, cometeu erros em razão de fatos como eleições intensamente disputadas, choques externos e ausência de ajuste fiscal.
Rhodes, que também é coordenador dos bancos norte-americanos com forte exposição no Brasil, reafirmou que as perspectivas brasileiras hoje são melhores do que há dois meses, e isso em razão dos ajustes fiscais que agora estão sendo feitos. Outro aspecto positivo, afimou, foi a mudança do regime de câmbio. Por isso, Rhodes está convencido de que já nas próximas semanas vários bancos vai anunciar o aumento dos negócios com o País.





