Por pouco não foi anulado ontem o julga mento dos qua tro rapazes de classe média de Brasília acusa dos de matar o índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, em abril de 1997. O motivo foi o desaparecimento temporário, no quarto dia de julgamento, de duas garrafas de lubrificantes usadas por Eron Chaves de Oliveira, Antônio Novély Vilanova, Tomás Oliveira Almeida e Max Rogério Alves para transportar o álcool que serviu para atear fogo ao índio. A sessão foi suspensa por cerca de uma hora até as provas reapareceram, mas não houve explicação oficial sobre o incidente.

Auxiliar da acusação, o advogado e deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) ameaçou pedir a dissolução do Júri, apesar de o julgamento estar no final. A previsão do Tribunal de Justiça de Brasília é de que termine na madrugada de hoje.

A falta dos frascos foi notada justamente por Greenhalgh. Quando ele fazia sua sustentação oral, percebeu que as garrafas haviam sumido. Duas versões foram apresentadas para justificar o desaparecimento: preocupado, um funcionário teria guardado o material em local mais adequado ou um faxineira teria retirado as garrafas do Tribunal do Júri durante a limpeza feita na madrugada de ontem. Seguranças foram flagrados revirando os lixos do tribunal à procura das provas.

Depois de as provas serem recuperadas, Greenhalgh afirmou que se sentia prejudicado e, apesar da descoberta das provas, poderia pedir a dissolução do júri. O advogado isentou a juíza Sandra de Santis pelo desaparecimentos das provas.

Mesmo assim, ele fez a mais impressionante das sustentações orais da acusação. Disse que os quatro rapazes tinham de ser condenados por homicídio doloso porque, ao atearem fogo no índio, assumiram o risco de que a vítima poderia morrer em consequência da ''brincadeira''. ''Eles não queriam matar, mas, ao praticarem o ato, assumiram o risco de matar'', afirmou o advogado.

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