Pouco tempo depois da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário da Câmara Federal ter apontado diversas irregularidades cometidas por juízes, mais uma vez a credibilidade da magistratura é abalada. Primeiro com a prisão de quatro integrantes da ‘‘quadrilha dos fóruns’’, em São Paulo, que revelou que processos judiciais podem ser roubados e comercializados. Agora, alguns juízes estão admitindo que estes documentos podem sumir também por acidente.
No Departamento de Inquéritos e Polícia Judiciária (Dipo) do estado de São Paulo, 11 inquéritos desapareceram desde 98. Em todos os casos, foram abertas sindicâncias e inquéritos, mas ninguém foi punido. Para o juiz-corregedor da Dipo, Maurício Lemos Porto Alves, os processos podem terdesaparecido culposamente ou dolosamente. Alves minimiza o envolvimento de funcionários devido ao acúmulo de serviços no setor. São 250 funcionários para cuidar de 65 mil inquéritos por mês.
José Tarciso Beraldo, juiz-titular da 27ª Vara Cível, Beraldo avalia que seria possível proteger esse material em microfilme ou em arquivos digitais. Entretanto ele avalia que o Estado não tem recursos para estes procedimentos.
O desaparecimento de processo obriga a Justiça a refazer toda a documentação. O problema é que neste tempo, itens podem sumir ou o processo pode prescrever.

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