Vitória, 01 (AE) - O sumiço de inquéritos policiais e processos judiciais no Espírito Santo é uma das maiores preocupações dos deputados da CPI do Narcotráfico, que deverão visitar o Estado, provavelmente até o fim de dezembro. "Esse tipo de desaparecimento pode caracterizar o envolvimento de integrantes do Judiciário com o crime organizado", afirma o deputado federal Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), integrante da comissão.
Em depoimento na CPI da Violência da Assembléia Legislativa capixaba, em setembro, o juiz Aldary Nunes Júnior, da 3.ª Vara Criminal da Serra (Grande Vitória), denunciou o sumiço de 30 dos 930 inquéritos de homicídios que estavam paralisados nas delegacias do município.
Hoje, segundo ele, 16 inquéritos já reapareceram depois de sua denúncia. "Se daqui até o fim do ano o restante não aparecer, vou determinar que o Ministério Público se manifeste."
O próprio juiz, porém, não está imune à situação. Em sua vara, está em andamento um processo aberto para esclarecer o homicídio de Luiz Paulo Cheroto de Resende, assassinado à queima-roupa em 28 de abril de 1998. Os autos originais sumiram e só puderam ser restaurados a partir de uma cópia, guardada com a auxiliar da acusação, advogada Maria Aparecida Denadai.
Apenas o policial militar Anderson Pereira da Silva, réu confesso, foi pronunciado por homicídio doloso, mas teve a prisão preventiva revogada de ofício pelo próprio juiz sem requerimento das partes - o que é legal, embora não usual. Os outros dois denunciados, os PMs José Marcos Mercier Soeiro e Edson Camargo, não foram pronunciados.
O processo do caso Cheroto sumiu depois que a perita criminal Sheila Ribeiro Reis Mendes, o retirou do cartório para realizar a reconstituição do crime. "Em todos os anos de advocacia nunca vi isso; o que a perícia faz é retirar cópia dos originais", critica Maria Aparecida. "Aqui sempre foi comum a retirada de processos originais, mas depois desse caso, só autorizamos fotocópias", alega Nunes.

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