Londrina - Na contramão da taxa nacional de analfabetismo de pessoas de 15 anos ou mais, que voltou a crescer após 15 anos (passou 8,6% para 8,7% entre 2011 e 2012), a região Sul reduziu o índice de 4,9% para 4,4% no mesmo período. Com o avanço, o Sul obteve o melhor índice do país, ultrapassando o Sudeste que manteve os 4,8% de analfabetos do ano passado. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Desde que a Pnad passou a cobrir o País inteiro, em 2004, é a primeira vez que o índice ficou maior do que no ano anterior. Os técnicos do IBGE informaram que estão reavaliando o resultado e que não se pode falar em tendência de aumento do analfabetismo, que só acontecerá se o índice continuar a subir nos próximos anos. A proporção de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler nem escrever passou de 8,6% em 2011 para 8,7% em 2012. Em número absolutos, representou um aumento de 297 mil analfabetos, de 12,866 milhões para 13,163 milhões.
A situação é mais preocupante no Nordeste, onde a taxa subiu meio ponto percentual em um ano, passando de 16,9% para 17,4%. Enquanto a região tem 27% da população total de 15 anos ou mais de idade, entre os analfabetos nesta faixa etária, 54% estão no Nordeste. Ou seja, um em cada dois analfabetos do País é nordestino.
Na avaliação de Eliane Andrade, professora do departamento de Educação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e da UniRio, a redução da taxa pode perder ritmo, uma vez que os analfabetos que restam no país são cada vez de mais difícil inclusão, citando idosos e moradores de áreas rurais. "A tendência é que se chegue em uma taxa em que é difícil conseguir grandes variações", afirma. Ela também afirma que o aumento de 2011 para 2012 não foi expressivo e pode estar dentro de uma margem de erro da pesquisa.

Integração
A Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed) trabalha com dados de 2010 do Ipardes, que apontam 445 mil analfabetos maiores de 15 anos nos 399 municípios. De acordo com a coordenadora de Integração de Programas e Projetos da Seed, Juara de Almeida Ferreira, a nova estratégia para atingir este público é a integração de todas as secretarias. "Nossos agentes de saúde, por exemplo, são os descobridores. Eles identificam as pessoas e fazem o cadastramento", explicou.
O objetivo, segundo ela, é levar as ações do Programa Paraná Alfabetizado para as regiões de vulnerabilidade. "Nós percebemos que não adianta colocar este programa nas sedes dos municípios. Os voluntários precisam ir até onde essas pessoas moram, nos distritos, bairros rurais, periferias." As informações das bases de dados do Cadastro Único serão cruzadas com a relação de analfabetos para que todos possam ser inseridos. "A dificuldade é grande, tanto de atrair como mantê-los nas aulas, mas com a nova forma, esperamos chegar próximo da erradicação".

Exemplo
Com apostilas especiais, de letras ampliadas pelo Instituto dos Cegos de Londrina, Fátima Gonçalves de Melo, de 52 anos, moradora do Jardim do Sol (zona oeste), frequenta aulas diárias no Ceebja Londrina. Ela cursa a 5ª série, mas o passo mais difícil, lembra ela, foi aprender a ler e escrever. Superando todos os desafios, Fátima foi juntando as letras e conseguiu dominar o beabá, o que parecia impossível para ela. "Foi uma emoção muito grande. Isso resultou em minha independência", contou.
A professora Líria Takeda Camargo elogiou o empenho e dedicação da aluna. "Ela é um exemplo de força de vontade para todos aqueles que querem se alfabetizar", ressaltou. "Não existe idade certa para quem quer aprender. Seja jovem ou idoso, procure uma escola perto e casa e peça informações, eles vão dar as orientações", recomendou. (Com Folhapress)

Imagem ilustrativa da imagem Sul tem a menor taxa de analfabetismo do País
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