Curitiba - De um total de recursos de R$ 2,1 bilhões solicitados pela Secretaria de Estado dos Transportes para o governo federal para realização de obras nos próximos quatro anos, apenas R$ 278 milhões foram contemplados no Plano Plurianual da União (PPA) 2004/2007, o correspondente a 13,2% das demandas do Estado. Situação semelhante se repetiu nos demais estados do Sul, que também reclamam a baixa contemplação no orçamento, enquanto estados das regiões Norte e Nordeste do Brasil receberam uma fatia bem mais gorda de recursos federais.
  Para discutir esta situação, a Comissão Permanente de Transporte do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) reuniu-se ontem em Curitiba com o gerente de Infra-Estrutura da Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT), Francisco Rocha Neto. ‘‘O Paraná não teve nenhuma contemplação de investimentos em rodovias. De que adianta fazer um orçamento da região Sul se não existe nenbuma previsão de orçamento da União’’, reclamou o coordenador de Planos e Programas de Transportes do Paraná (CPPT), Manoel Jorge Lacerda Júnior.
  O representante do Ministério dos Transportes, Rocha Neto, não soube explicar o porquê do governo ter aprovado mais verbas para outras regiões. Ele afirmou, no entanto, que a princípio a ANTT teria contemplado no PPA todas as reivindicações apresentadas pelos estados. ‘‘O problema é que o Ministério do Planejamento fixou um teto de R$ 2,3 bilhões para o setor de transportes, o que levou a muitos cortes’’, afirmou.
  Como o PPA pode ser revisto anualmente, o objetivo da reunião de ontem entre os representantes dos quatro estados que compõem o Codesul (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul) era reavaliar os planos estaduais, os planos integrados do bloco e definir as prioridades do Plano Diretor de Transportes do Codesul junto ao PPA. ‘‘Esta reunião é fundamental porque ficamos sem recursos para obras fundamentais’’, disse Lacerda, ressaltando a importância de se priorizar roteiros que permitam o transporte de produtos como soja e trigo.
  Lacerda lamentou principalmente a falta de recursos para o setor rodoviário, uma vez que entre os projetos havia obras de grande interesse regional. Entre elas, citou a pavimentação da Estrada da Ribeira – entre Tunas do Paraná (Região Metropolitana de Curitiba) e Adrianópolis (133 km ao norte de Curitiba), ligando o Paraná a São Paulo, e a pavimentação da Estrada Boiadeira, na Região Centro-Oeste, que completa uma ligação do Estado com o Mato Grosso do Sul.
  Para obras em rodovias o Paraná pleiteava R$ 507 milhões, para ferrovia R$ 1,275 milhão, R$ 240 milhões para os portos e R$ 113 milhões para o setor aeroportuário. Dos R$ 278 milhões previstos, R$ 180 são para a ampliação do cais do Porto de Paranaguá, R$ 88 milhões para a contrução da variante ferroviária Ipiranga-Guarapuava e R$ 10 milhões para as obras do contorno ferroviário de Curitiba.

mockup