Sul protesta contra o espírito de Davos
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sexta-feira, 26 de janeiro de 2001
Beatriz Lecumberri De Porto Alegre France Presse 
Uma passeata pelas ruas de Porto Alegre abriu ontem um inédito ato de resistência do Sul contra o Norte, das Organizações Não Governamentais (ONG) contra as grandes multinacionais, da solidariedade ante o capitalismo, Porto Alegre contra Davos, como definem seus participantes. A capital gaúcha está sediando, desde ontem, o Fórum Social Mundial (FSM), a primeira resposta internacional dos países do Sul ante o espírito neoliberal que emana do Foro de Davos, na Suíça, que também está sendo realizado neste mesmo período.
Cerca de 3 mil membros de órgãos sociais, sindicatos e partidos políticos dos cinco continentes comporão o colorido caleidoscópio deste encontro de cinco dias, que terá um público de mais de 10 mil pessoas, segundo calculos dos organizadores. Depois dos protestos contra a Organização Mundial do Comércio (OMC) em Seattle, a história mudou. Aquilo foi algo inaugural e Porto Alegre é um passo à frente. Este encontro não consiste em dizer NÃO, mas em passar para uma atitude ativa, elaborar perspectivas e alternativas, declarou à France Presse Bernard Cassen, diretor-geral do jornal francês Le Monde Diplomatique e um dos artífices do Fórum.
Para os organizadores, a globalização neoliberal é um processo reversível e um novo século pode começar realmente em Porto Alegre, já que os dirigentes financeiros nada jpodem fazer ante uma grande mobilização internacional.
A dívida externa dos países em vias de desenvolvimento, os impostos sobre os movimentos de capital especulativo, o papel das instituições financeiras internacionais, o Plano Colômbia, o papel da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), a reforma agrária e a exclusão das mulheres serão os temas mais importantes deste Foro Social.
O encontro não será um muro das lamentações. Pretende elaborar um movimento de resistência internacional com iniciativas políticas concretas. A utopia de hoje é o realismo de amanhã e nós acreditamos que é possível construir outro mundo melhor, opinou o empresário Oded Grajew, que junto com Cassemi foi o principal articulador deste encontro.


