Sul e Sudeste são principais consumidores de madeira amazônica
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sábado, 03 de novembro de 2001
Roberto Kishinami<bR>Especial para a Agência Estado 
O Sul e Sudeste, especialmente São Paulo, são os maiores consumidores da madeira amazônica extraída de forma predatória. Todos os anos são arrancados da floresta 28 milhões de metros cúbicos de madeira em tora. Desse total, só 4 milhões vêm de áreas em que se pratica manejo florestal. Todo restante é oriundo de desmatamentos em propriedades particulares, terras públicas e áreas indígenas.
Ao contrário do que se imagina, não é para o mercado externo que vai a madeira da Amazônia. Só 4 milhões de metros cúbicos de madeira em tora são exportados anualmente e os principais compradores são os europeus, seguidos dos norte-americanos. O total exportado coincide com a produção do manejo florestal. E isso dá alguma pista do papel que têm os consumidores na destruição ou na preservação da floresta.
A informalidade e a ilegalidade acompanham a madeira amazônica, desde sua origem até o consumidor final. Nas palavra de um diretor de grande rede de varejo de materiais de construção ''para vender produtos de madeira amazônica é preciso se cercar de todo tipo de cuidado, pois você nunca sabe quando vai ser exposto a madeira extraída ilegalmente e esses cuidados são custos improdutivos no processo''. A empresa se empenha em não ser citada em reportagens sobre a madeira da Amazônia argumentando ser, invariavelmente, prejudicial a sua imagem.
As duas formas de extração de árvores - desmatamento e manejo florestal - diferem pelo que deixam da floresta depois do corte das árvores. No desmatamento, os proprietários rurais, ao transformarem floresta nativa em pasto ou em áreas de plantio, primeiro extraem as árvores de valor comercial. Depois, derrubam e queimam a mata restante.
Nesse processo, raramente obtêm mais que R$ 10 pelo metro cúbico. Os preços variam conforme a distância até a serraria, a época do ano em que é feito o corte, a existência ou não de autorização do Ibama e volume disponível. O corte é feito, via de regra, por madeireiros vinculados às serrarias.
No manejo florestal, as propriedades são divididas em lotes e, em cada um, as árvores para o corte são identificadas em um mapa com coordenadas geográficas. Feito o levantamento, elabora-se o plano de manejo florestal, de modo que cada lote seja explorado uma vez a cada 30 anos e sejam extraídos até 40 metros cúbicos por hectare. Tanto esse volume quanto o prazo são aceitos pelo Ibama como necessários para que a floresta se recupere.
Mas não são parâmetros consensuais. Por exemplo, Paulo Kageyama, pesquisador da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP, não acredita que os planos sejam sustentáveis porque espécies como o mogno terem ciclo de vida maior que 60 anos.
Apesar desse e de outros pontos polêmicos do manejo florestal, técnicos e pesquisadores reconhecem seu mérito ao colocar em prática o que de melhor se conhece da biologia e da engenharia de florestas. Sua maior fragilidade, no momento, não é técnica, mas comercial e de credibilidade junto aos consumidores, por representar apenas 16% da produção madeireira da Amazônia e não ter conseguido se separar completamente da extração predatória de madeira.


