Pouso Alegre, MG, 07 (AE) - Reconstruir o sul de Minas é tarefa que exigirá mais do que verbas. Será preciso tempo para pôr tudo em ordem depois da enchente que atingiu a região, a maior dos últimos 30 anos. Em menos de quatro meses não será possível ver recuperadas as cidades mais prejudicadas pela chuva
como Itajubá, Santa Rita do Sapucaí e São Lourenço. É o que avalia Otávio Scofano Filho, da coordenação da Defesa Civil em Itajubá.
Em cinco dias de chuvas, que começaram logo no primeiro dia do ano, choveu mais do que era esperado para todo o mês de janeiro. Em São Lourenço, choveu em menos de uma semana 350 milímetros. O previsto para o mês era 278 milímetros. Quase 82 mil pessoas ficaram desabrigadas no pior dia da enchente.
Nove pessoas morreram em seis cidades da região. Os números da destruição impressionam: 60 mil imóveis danificados, entre casas, escolas, indústrias e prédios públicos. São 27 as rodovias com trechos interditados. Trinta pontes caíram. Estações de tratamento de água operam em condições precárias e houve danos às redes elétrica e telefônica.
Em Itajubá, 80% dos imóveis foram atingidos pela enchente. Quando a água baixou, ontem, sobrou muita lama e lixo. A Secretaria Municipal de Obras não sabia prever quando a limpeza das ruas ou a distribuição de hipoclorito de sódio para a desinfecção dos imóveis serão concluídas.
Ao relatar os prejuízos de Santa Rita do Sapucaí, o prefeito Jeferson Gonçalves (PFL) chorou. Mais de 75% do município foi atingido. Trinta mil dos 40 mil moradores ficaram desabrigados na cheia, entre eles o próprio prefeito e sua família. Parte das empresas de eletrônica, responsáveis por 50% da arrecadação de Santa Rita, ficou sob as águas.
Submersas, grandes empresas de Pouso Alegre pararam e ainda não sabem quando voltarão a produzir. A Alpargatas e a Wrangler ficaram inundadas. Em São Lourenço, cidade turística do Circuito das águas, 95% do setor comercial - rede hoteleira, bancária e de serviços - foi arruinada. Em plena temporada, o Parque das águas, principal atração do lugar, está cheio de lama. Mais de 40% das reservas do mês foram canceladas. O mesmo ocorreu em Caxambu e Lambari.
Recursos - Moradores, comerciantes e os gestores da administração pública do sul de Minas mal sabem com que recursos iniciarão a reconstrução. Por ora, contam com doações que chegam às contas correntes abertas para arrecadar fundos. De oficial, até agora, só há a verba liberada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para as cidades e a linha de crédito para as vítimas da enchente. Mas nem prefeitos nem moradores sabem como fazer para receber o dinheiro logo. Mas já se sabe que a verba da União será insuficiente.
Pelas primeiras estimativas, só para normalizar as rodovias serão gastos R$ 15 milhões. O governador Itamar Franco (sem partido) ainda não calculou o prejuízo nem anunciou medidas
mas avisou que, se preciso, pedirá ajuda externa.

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