Sul-americanos são favoritos em Roland Garros
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terça-feira, 25 de maio de 1999
Por Chiquinho Leite Moreira 
Paris - Nunca o tênis sul-americano estave tão em alta como agora. Em Roland Garros a expectativa é de uma final entre Gustavo Kuerten diante do chileno Marcelo Rios. A América do Sul dominou a temporada européia em quadras de saibro, com os títulos de Montecarlo (Kuerten e Rios na final), Munique (Guga ganhou do argentino Franco Squillari), Hamburgo (Rios foi o campeão, diante do argentino Mariano Zabaleta), Roma (Kuerten) e St. Polten (Rios ganhou de Mariano Zabaleta, na final).
O Brasil fez história em Roland Garros, com a conquista de Kuerten em 1997, mas bem antes disso, os brasileiros já criaram uma tradição, com as nove participações de Luiz Mattar, as 13 de Cássio Motta e de tantos outros bons tenistas do País que pisaram nas quadras de saibro de Paris. Mas entre uma vitória ou outra de Mattar, um bom desempenho de Motta, um tenista brasileiro chamou atenção de maneira muito especial. Mesmo sem jamais ter vencido um jogo em Roland Garros, Júlio Góes transformou-se numa das figuras mais admiradas do torneio.
Em 1986, na sua quarta participação no torneio, Meca, como é conhecido Góes, foi jogar numa quadra próxima a sala de imprensa. De repente, uma multidão de jornalistas, liderados pelos italianos, tomou conta de todos os espaços livres do vidro para ver o jogo de Meca. "Quem é este jogador que quase nem precisa correr para jogar", perguntavam espantados. "Não faz força, bate na bola com jeito e incrível facilidade." Júlio Góes não teve forças para vencer seus adversários em Paris, mas mostrou para os maiores jornalistas do mundo seu talento e estilo, na época revolucionário, e que hoje é a marca dos melhores: jogar praticamente dentro da quadra e antecipar-se aos golpes do adversário.
Por isso, não precisava correr e com sua mão mágica colocava a bola do outro lado da quadra com carinho. Os melhores resultados da época, porém, vieram de Luiz Mattar, que em plena quadra central de Roland Garros venceu o ídolo local Yannick Noah. Cássio Motta, no mesmo local, quase esteve lá. Teve match-point com outro ídolo francês Henri Leconte, mas mesmo depois de estar vencendo por 2 sets a 0, caiu diante do francês.
Um dos momentos mais curiosos veio, no entanto, de Ivan Kley. Como era famoso, o tenista gaúcho jamais perdia uma oportunidade de dar um bom retorno a seus patrocinadores. Foi talvez o primeiro "marqueteiro" das quadras. E, certa vez, iria enfrentar o astro Yannick Noah na quadra 1 de Roland Garros
onde com certeza o jogo seria mostrado para as tevês internacionais.
Kley entrou com roupa idêntica a de seu adversário, a mesma cor, modelo e tudo mais. Mas, desta vez, não pôde ser chamado de uma jogada de marketing: apenas que os dois tenistas tinham o patrocínio da empresa de roupas Le Coq Sportif. É lógico que Kley soube antes que Noah também usaria o uniformde de cor preta, mas isso, o simpático e lutador jogador do Rio Grande do Sul jamais vai contar para ninguém.


