Rio, 28 (AE) - A Sul América, segunda maior companhia seguradora nacional, registrou lucro recorde no ano passado, de R$ 282 milhões, mais do que o dobro dos R$ 104 milhões registrados em 1998. Parte do bom desempenho foi resultado da venda, em outubro do ano passado, da participação de 42,01% que o grupo detinha na Brasilprev, comprada pelo grupo norte-americano Principal Financial Group, por US$ 108 milhões.
"A venda gerou um lucro de R$ 120 milhões para o conglomerado, mas não foi o único fator que contribuiu para o recorde histórico", comentou o presidente da Sul América, Patrick Larragoiti Lucas. Ele apontou também, como contribuições para o bom desempenho, o fato de a empresa não ter endividamento em dólar, num ano marcado pela desvalorização cambial, e a estratégia adotada em meados de 1998, que privilegia a rentabilidade. "Nossa posição no mercado já não interessa tanto", afirmou. "Estamos atrás de resultados operacionais."
Esta determinação inclui a entrada forte no setor de resseguros, com participação no leilão de privatização do IRB Brasil Re, prevista para o segundo semestre deste ano. A empresa
que já detém 7% de participação no IRB, se candidará em parceria a um grande grupo internacional, ainda não definido, e possivelmente em associação com outro grupo segurador nacional. Larragoiti prevê uma grande disputa pela resseguradora estatal. "Acredito que pelo menos as cinco maiores resseguradoras internacionais entrem no leilão", afirma.
A Sul América já tem participação no IRB devido à divisão que existe atualmente: metade da participação é do governo e a outra metade, rateada pelas seguradoras nacionais, de acordo com o patrimônio líquido e a receita de cada uma.
A companhia, que em março de 1997 firmou parceria com a Aetna, também norte-americana, para o ramo de seguro de vida, pode fazer novas associações com empresas internacionais em outros setores. "Não é exagero dizer que estamos recebendo uma proposta a cada semana", diz o vice-presidente da Sul América, Hélio Novaes, acrescentando que não há nenhuma definição a respeito. A empresa também tem planos de incorporar mais seguradoras nacionais, a exemplo do que ocorreu nos últimos nove anos, com a compra de quatro grupos: Iochpe, Santa Cruz, Bandeirantes e Arbi.
Com apenas parte do grupo listado em bolsas de valores, o lucro líquido da parcela com capital aberto foi bem menor: R$ 172,162 milhões, como a empresa informou hoje à Comissão de Valores Mobiliários e à Bolsa de São Paulo. Mas, no resultado consolidado, a taxa de retorno sobre o patrimônio líquido administrado pela controladora foi de 32,4%, o triplo da proporção de 98, de 11,2%.

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