Johannesburgo, 15 (AE-AP) - No mesmo dia em que os sul-africanos estarão relembrando os mártires da luta anti-apartheid, o país dirá adeus a Nelson Mandela e dará boas-vindas ao homem que tomará o seu lugar como presidente, Thabo Mbeki.
Mbeki será empossado amanhã (16) nos Edifícios da União de Pretoria, o palácio do governo, onde durante décadas reinaram líderes minoritários brancos que administravam o sistema do apartheid. Neste mesmo local, Mandela fez seu o juramento em 1994, tornado-se o primeiro presidente livremente eleito da áfrica do Sul.
O governo reservou o dia para uma celebração nacional. Depois do juramento de Mbeki e de seu discurso de posse, está planejado um concerto de música ao ar livre. O time de futebol nacional da áfrica do Sul jogará contra o Zimbábue na Copa da Posse Presidencial. Mandela assistirá o jogo, e é esperado que ele fale posteriormente do gramado.
Amanhã se comemora o dia da juventude na áfrica do Sul, marcando também o aniversário do início da insurreição de 1976 em Soweto, um ponto decisivo na luta contra o apartheid. Hector Peterson e oito outras crianças morreram naquele 16 de junho, e, para homenageá-los, Mandela planejou uma visita ao monumento aos Peterson durante o dia.
Ao contrário de 1994, este ano as festividades de posse prometem ser mais modestas.
A oposição, principalmente a branca do Partido Democrático, protestou contra os 47 milhões de rands (US$ 7,7 milhão) que serão gastos no evento. Para os críticos do governo, trata-se de um desperdício, ao mesmo tempo em que a população rural está cada vez mais pobre.
Ao contrário do elenco estelar de convidados de 1994, a lista desta vez é modesta. O Grupo dos Oito (sete países mais industrializados mais a Rússia) está se encontrando nesta semana
afastando da festa os principais líderes europeus e o presidente Bill Clinton, que será representado pela procuradora-geral Janet Reno.
A maioria dos cerca de 130 países convidados está enviando ministros, senadores e embaixadores, com exceção de 30 presidentes - só três de fora do continente.
O dia de amanhã marcará também a retirada definitiva da política do octagenário Nelson Mandela, que planeja passar sua aposentadoria entre Johannesburgo, Maputo, Moçambique (casa de sua esposa Graça) e Qunu (local de seu nascimento).
Depois de cinco anos de Mandela no poder, os quais foram gastos na transição democrática e na introdução da maioria negra na vida política do país, Mbeki, que completará 58 anos na sexta-feira, estará sob pressão para acelerar a ajuda governamental aos pobres.
Não será uma tarefa fácil.
"Mbeki tem a difícil incumbência de assumir o lugar de um homem que foi herói nacional e considerado quase perfeito", escreveu o cientista político Phil Mtimkulu na edição de hoje do jornal The Star de Johannesburgo.

mockup