Sujeira já prejudica atividades no campus da UEL
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sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
A greve dos servidores da Universidade Estadual de Londrina completa hoje cinco dias e embora os professores estejam dando aula normalmente, alguns pontos já começam a ficar preocupantes devido a ausência dos funcionários.
Um das questões mais problemáticas é a higiene, ou a falta dela. Além do acúmulo de folhas no calçadão, os banheiros de alguns centros já não podem mais ser usados. Logo na entrada do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa) o cheiro no corredor mostra o tamanho da sujeira dentro dos banheiros. No sanitário masculino os cestos cheios de papel foram virados no chão, piorando a situação. Os cestos de lixo nos corredores também já estão transbordando.
Gabriel Moreira Pirolo, aluno de Ciências Contábeis, explica que por enquanto as aulas estão sendo dadas normalmente, mas a sujeira já começa a incomodar. ''Se continuar desse jeito, sem limpeza, vai ficar difícil'', ponderou.
O chefe do Departamento de Direito Público, Marcos Ticianelli, conta que conversou com os estudantes e as maiores reclamações são relativas à falta de limpeza e também ao fechamento do Restaurante Universitário (RU) e da Biblioteca Central.
''Os professores estão dando aulas normalmente, a única mudança é que agora nós ficamos responsáveis por pegar as chaves das salas de aula e devolvermos no final do período. A falta de livros ainda não é um impeditivo, mas não está sendo fácil trabalhar desta maneira.''
No Centro de Ciências Humanas (CCH), os cestos dos banheiros também estão cheios e as folhas secas se acumulam pelos corredores. A aluna de Geografia Laila Ferraz conta que tem aulas ali e também no Centro de Ciências Exatas (CCE), onde na quinta-feira o lixo foi recolhido. Mas para ela o problema principal é o RU estar fechado. ''Tenho que ir para casa correndo depois da aula para almoçar, porque tenho outro curso à tarde. O RU faz bastante falta'', declarou.
Juliana Carolina dos Santos e Nicolas Braun, alunos de Engenharia Civil, contam que no Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU) pelo menos o lixo está sendo recolhido, mas a falta de locais com preços mais acessíveis para fazer as refeições é o pior efeito da greve. Como o curso é integral, eles contam que não há tempo para ir para casa almoçar.
''A gente come um salgado mesmo, ou vai nos restaurantes dos prédios aqui perto, mas é muito mais caro, já que no RU a refeição custa R$ 2,10. Quanto à biblioteca, ainda bem que não estamos em semana de prova, mas estamos tendo que improvisar. Um aluno que tenha o xerox empresta para a sala toda ou o professor empresta o livro também'', contou Juliana.
Nicolas explica que a falta de funcionários nos laboratórios também impôs mudanças na dinâmica das aulas, já que agora os próprios alunos precisam deixar os materiais organizados para os outros colegas usarem posteriormente.
Um segurança, que não quis se identificar, conta que todos os funcionários dessa área estão trabalhando normalmente. ''Concordamos com o movimento, mas continuamos desempenhando nossas funções porque precisamos manter a ordem, afinal, os alunos e professores estão no campus.''
A Prefeitura do campus informou, por meio da assessoria de imprensa, que solicitou ao comando de greve a retomada do funcionamento do Restaurante Universitário e da zeladoria para oferecer condições mínimas de funcionamento dos centros de estudo e aos setores administrativos que continuam trabalhando. E confirmou que as atividades do setor de segurança patrimonial seguem normalmente.
A reportagem da FOLHA entrou em contato com o presidente do Sindicato dos Servidores Técnico-administrativo da UEL (Assuel), Marcelo Seabra, e foi informada que os serviços prestados pelos funcionários da biblioteca, Restaurante Universitário e zeladoria continuarão suspensos, porque a atividade realizada por eles não se caracterizaria como um serviço essencial para o campus. ''Eles quiseram e têm o direito de participar da greve como os demais funcionários. Se fosse um serviço de zeladoria realizado no HU, consideraríamos a atividade como essencial por ser tratar de um hospital, mas no campus não'', pontuou.


