Falta de manutenção de um lado e de educação de outro, tornam o uso de banheiros públicos em Londrina uma aventura nada agradável. Sujeira, lâmpadas e vidros quebrados, paredes pichadas são recorrentes. Problemas mais graves como falta d' água e segurança também não são raros. Para piorar, nos poucos locais com melhor estrutura, caso da Praça Marechal Floriano Peixoto, o usuário é obrigado a pagar para usar o banheiro que, em tese, deveria ser de livre acesso.
A taxa de uso é de R$ 0,20. O preço parece ser tabelado e é o mesmo cobrado para usar o banheiro masculino no Calçadão na esquina com a João Cândido. O feminino, segundo informa o 'guardador' do banheiro, Valdeir Ramos, está livre porque a mulher que cuidava dali está doente.
O guardador afirma que faz o serviço há mais de um ano e argumenta que o valor ajuda a pagar o material de limpeza usado no local. ''Veja bem, a gente tem que comprar as coisas e cuidar daqui, limpo aqui todo dia e forneço papel'', diz. Segundo Ramos, a mãe dele, que iniciou o negócio, teria autorização da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para trabalhar no local.
Na praça Marechal Floriano Peixoto, a cobrança é dupla e quando o guardador não está o banheiro fica trancado. Na tarde que a reportagem foi ao local, a zeladora do banheiro feminino tinha ido embora antes das 17 horas.
O taxista Roni Oliveira, 35 anos, é usuário do banheiro da praça. ''A gente acaba pagando porque o lugar é bem cuidado e o rapaz tem a manutenção dele e o tempo dispensado aí'', comenta.
Onde não há cobrança, o usuário tem que se virar para driblar a falta de estrutura. No banheiro da praça Presidente Vargas, os taxistas já se acostumaram a levar um balde d' água toda vez que precisam usar o banheiro. ''A gente já cansou de reclamar, não tem condições, a maioria vive entupida e a sujeira então nem se fala'', diz o taxista Eduardo Coutinho, 38 anos.
No Bosque, os problemas vão além da falta de estrutura. Os usuários reclamam de assédio sexual e ponto de uso de drogas. Problema que também ocorre em outros banheiros públicos da cidade. ''À noite sabe-se lá o que acontece aí'', diz Coutinho.
A dona de casa Raquel Mathias, 52 anos, diz que só usa banheiro público quando a vontade aperta muito. ''Ah, é muito sujo né, não tem papel, acho que eles deveriam colocar uma pessoa para cuidar'', sugere.

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