Rio, 21 (AE) - Duzentos pequenos e médios suinocultores da Holanda, acompanhados de suas famílias, estão dispostos a se fixar ainda este ano no Mato Grosso. Por imposições ambientais, esses produtores têm de fechar seus negócios na Holanda. Mato Grosso é uma alternativa por várias razões, dentre elas a renúncia dada pelo governo do Estado, de 65% do ICMS.
O governo holandês está disposto a financiar a transferência desses suinocultores, desde que o governo do Mato Grosso ofereça garantias. "Dou tudo o que eles quiserem", disse o governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira à Agência Estado.
A aproximação entre os suinocultores e o Estado começou há cerca de um ano, através de um paulista que tem negócios no Estado e na Europa, quando eles vieram ao Brasil. "Eles ficaram encantados", afirmou Dante, sobre as visitas às fazendas do Estado, minutos antes de receber Mathis Peter Hendrikx, um grande produtor de suínos da Cooperativa de Holambra, no Estado de São Paulo. Ele é o representante dos colegas holandeses na negociação em curso e deve acompanhar Dante de Oliveira a Amsterdã em maio, quando a transferência dos holandeses poderá ser selada.
"A Holanda está louca para que eles sumam de lá, e o Mato Grosso, para que eles venham", disse Hendrikx, explicando que a suinocultura provocou estragos ambientais seríssimos naquele País. Além do incentivo fiscal, os suinocultores se interessaram por Mato Grosso porque é um dos três estados brasileiros livres de duas doenças que afetam a cultura de suínos, a aftosa e a aujiski. "Foi uma escolha sanitária", disse o representante dos holandeses. Há também abatedouros instalados no Estado com capacidade ociosa, o que também foi chamariz para os holandeses. A proximidade com países do Mercosul e o sistema de transporte multimodal também foram levados em conta.
Desde a adoção do programa "Granja de qualidade", há cerca de três anos, o Mato Grosso vem atraindo os interesse dos produtores do setor. O Grupo americano Smith & Fields, associado a dois grupos nacionais, fez o maior investimento com US$ 100 milhões para ter 52 mil matrizes suínas, na cidade de Diamantino. O projeto ainda está em implantação.

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