Rio, 8 (AE) - A participação do governo no setor de petróleo ainda é excessiva e pode afetar o interesse das companhias internacionais, afirmou hoje a diretora de Pesquisa do banco Warburg Dillon Read nos Estados Unidos, Mary Quinn, que responde pelo setor de petróleo e gás da instituição. O Warburg é o banco de investimento da União de Bancos Suíços (UBS).
Quinn citou como exemplos de interferência à qual as empresas não estão acostumadas a exigência de licença da Agência Nacional de Petróleo (ANP) para exportações de petróleo e até mesmo a exigência de troca de todos os dólares que entram no País por reais. "A indústria do petróleo é basicamente uma indústria de dólares", afirmou a diretora, para argumentar que o fato pode atrapalhar a execução de investimentos destas companhias.
A situação do Brasil, na avaliação de Quinn, é inversa à da Argentina, que abriu anteriormente o mercado petrolífero. Os argentinos estabeleceram regras claras para investimentos no setor, com pouca interferência, mas a situação geológica do país é pouca atrativa. No Brasil, as condições geológicas trazem "grandes esperanças", afirmou a diretora do Warburg.
Ela estimou que o nível de investimentos iniciais nas áreas que serão licitadas pela ANP, somente para as primeiras perfurações em busca de gás ou petróleo, deverão ficar em US$ 550 milhões. A diretora do Warburg Dillon lembrou que o fato de 38 empresas terem se habilitado para a licitação de áreas da ANP
na próxima semana, não significa que todas participarão do processo.
Procura - "Se eu estivesse no lugar de alguma companhia de petróleo, a primeira coisa que eu faria para investir seria procurar informação", argumentou Quinn, explicando o porquê da habilitação de 38 empresas.
Ela lembrou que, durante o processo de privatização da YPF, na Argentina, embora nove empresas tivessem manifestado interesse na estatal, apenas uma ofereceu de fato um lance pela companhia.

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