Tóquio, 02 (AE-AP) - Em meio a uma persistente recessão e crescente número de demissões, o total de suicídios entre os japoneses aumentou em 1998, registrando novo recorde. O governo japonês informou hoje (02) que no ano passado 32.863 pessoas tiraram a própria vida, o que representa um crescimento de 34,7% em relação a 1997. A taxa de suicídio do país é uma das mais altas do mundo: 26 para cada 100 mil habitantes - ligeiramente inferior ao da Finlândia (campeã mundial da categoria), que possui uma taxa de 27 para cada grupo de 100 mil pessoas. Desde que o governo japonês começou a computar o dado, em 1947, a estatística de 1998 é a maior já registrada. Esta também é a primeira vez que o total supera a marca de 30 mil suicídios. Muitos dos que tiraram a própria vida eram japoneses de meia-idade - na faixa etária de 50 anos, 7.898 casos, um aumento de 45,7%. Entre as pessoas na faixa de 40 anos, o número de suicídios somou 5.359 - alta de 27,6%. Tal fato é reflexo das reestruturações empresariais que levaram muitos empregados que sempre trabalharam numa única companhia a perder subitamente seu emprego. O relatório elaborado pelo Ministério da Saúde registrou aumento no número de suicídios, de 30% e 40%, entre desempregados, autônomos e gerentes de empresas. Do total de suicídios ocorridos no ano passado, 6.058 foram claramente cometidos por causa de dificuldades econômicas - representando um aumento de 70,4%. Já o motivo enfermidade foi a causa atribuída para 11.499 pessoas que tiraram a própria vida - alta de 26,9%. O problema atinge principalmente homens, 23.013 suicídios contra 9.850 cometidos por mulheres. O suicídio infantil também cresceu. Entre as crianças da pré-escola, o número de suicídios subiu de 12 (1997) para 17 no ano passado. Já entre os estudantes do curso primário houve um aumento de 40 casos, somando 102. No ginásio, 220 estudantes tiraram a própria vida, representando um aumento de 51 casos.

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