Suiça quer ampliar investimentos no País
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segunda-feira, 05 de julho de 1999
Por Gecy Belmonte 
Brasília, 6 (AE) - O presidente da União Suiça do Comércio e da Indústria, Andres Leuenberger disse hoje à direção da Confederação Nacional da Indústria (CNI) que os empresários suiços querem ampliar seus investimentos no País. Para isso, no entanto, desejam que algumas barreiras ao capital externo sejam removidas. Ele pediu ajuda à CNI para que o Congresso Nacional aprove acordo bilateral firmado em 1994 para promoção e proteção de investimentos entre os dois países. Também defendeu a retomada das discussões sobre um outro entendimento que evita a dupla tributação do Imposto de Renda nas transferências feitas entre os dois países.
Andres Leunberger, que integra a delegação econômica suiça chefiada pelo ministro da Economia, Indústria, Trabalho e Agricultura, Pascal Couchepin, que ficará no Brasil até a próxima sexta-feira, enumerou ainda outras queixas dos empresários suiços com relação ao Brasil: altas taxas do imposto de importação, falta de cumprimento à Lei de Propriedade Intelectual, e elevado índice de nacionalização exigido para se produzir no País.
Segundo ele, os 60% exigidos como índice de nacionalização são muito elevados e dificultam a atuação das empresas estrangeiras que importam peças e componentes para fabricar bens com maior valor agregado.
O ministro da Economia, Pascal Couchepin, reforçou o interesse da Suiça em investir no Brasil, especialmente porque o País - na avaliação dele - pode se tornar uma importante plataforma de exportação para os países do Mercosul e da América Latina. Ele lembrou que a Suiça é o quinto investidor estrangeiro no País, com um total de US$ 6,1 bilhões aplicados até o ano passado. Reconheceu, contudo, que, apesar de esse valor representar quase 10% do total de recursos suiços feitos no exterior, o volume de investimentos está estagnado. "Esperamos dinamizar nosso relacionamento com o Brasil a partir desta visita", afirmou.
Pascal Couchepin também ressaltou a importância da aplicação da Lei da Propriedade Intelectual para que mais empresas suiças se sintam atraídas a investir no País. Conforme ele, apesar de todo o arcabouço legal existente a legislação, bastante complicada, não é cumprida pelos tribunais. Entre as empresas que já estão atuando no Brasil se destacam a Nestlé, Novartis (maior empresa agroquímica e farmacêutica do mundo), Roche, Holdercim, Clariant e Elevadores Atlas.
Na área financeira também há forte presença suiça no País, sendo que somente no ano passado, com a compra do Banco Garantia pelo Crédit Suisse os investimentos nesse setor foram de US$ 1 bilhão.
Durante a visita à CNI, onde foi recebida pelo presidente em exercício, deputado federal Carlos Eduardo Moreira Ferreira (PFL-SP), a delegação suiça ouviu uma explanação sobre a economia brasileira. O chefe da Unidade Econômica da CNI, José Guilherme Reis, falou sobre as medidas adotadas pelo governo para enfrentar as crises asiátias e russa, bem como sobre as perspectivas para os próximos meses. Lembrou que os efeitos externos sobre a economia interna não foram tão desastrosos como muitos esperavam.
José Guilherme Reis informou à delegação suiça que a queda do Produto Interno Bruto (PIB) deverá ficar em menos de 1% este ano e que a inflação permanece sob controle. Observou também que a recessão não deverá ser aprofundar e que a flutuação do câmbio adotada pelo governo em fevereiro passado foi bem sucedida. Ressaltou, contudo, que o país ainda precisa controlar seu déficit público e fazer um ajuste fiscal de longo prazo para cumprir integralmente as metas acertadas nas negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
A visita da delegação estrangeira a CNI foi marcada pela assinatura de um memorando de entendimentos firmado entre a Secretaria de Estado da Economia (SECO) da Suiça e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), vinculado a CNI. Esse acordo permitirá a instalação de um centro para o fomento de produção mais limpa no País. Esse centro estará localizado na Escola Senai Suiço-Brasileira, que atua na área de mecânica de precisão desde 1973. Este é o quinto centro para o estímulo à tecnologias que respeitam o meio ambiente em países emergentes ou em desenvolvimento implementado com o apoio da Suiça.


