Genebra- Uma pessoa soropositiva pode manter relações sexuais sem preservativo e mesmo assim não contaminar seu parceiro. Para o governo suíço, isso é possível. Pela primeira vez, as autoridades sanitárias de um país admitem que irão recomendar que uma pessoa com o vírus HIV possa ter relações sexuais sem preservativos. Nesta semana, o governo da Suíça surpreendeu a comunidade internacional e anunciou que irá sugerir que soropositivos, em situações muito específicas, possam ter relações sexuais sem preservativos.
A medida tem como objetivo ''melhorar a qualidade de vida das pessoas contaminadas'' e garantir uma ''vida sexual normal''. Mas o assunto está gerando polêmica no mundo acadêmico e mesmo entre especialistas. Segundo uma comissão do departamento de Saúde do governo suíço, sob determinadas condições, portadores de HIV podem manter relações sexuais sem uso de camisinha.
Para que isso seja possível, sem que a outra pessoa seja infectada, algumas condições devem ser cumpridas. O paciente precisa seguir rigorosamente uma terapia antiviral e ser controlado regularmente. Durante seis meses não deve ser encontrado o vírus em suas mostras de sangue e o portador de HIV não deve ter outra doença sexualmente transmissível.
A Comissão Suíça para Questões Ligadas à Aids (CFS, na sigla em francês) admite que, no País, o número de pessoas que estariam dentro desses critérios é pequeno. Mesmo assim, a entidade aposta em sua recomendações.
O presidente da CFS, Pietro Vernazza, garante que ''uma pessoa portadora do vírus HIV, submetida a uma terapia anti-retroviral que funciona, não transmite o vírus da Aids por contatos sexuais''. O estudo, por exemplo, constatou que a terapia pode eliminar o vírus das secreções genitais. Segundo ele, a notícia significa uma grande melhora da qualidade de vida para aqueles que vivem com a doença.
Para chegar à conclusão, as autoridades suíças citaram um estudo feito em Porto Alegre, entre 2000 e 2006. O levantamento envolveu 93 casais sorodiferentes (quando um dos parceiros não é soropositivo), sendo que 41 dos parceiros portadores do HIV iniciaram a terapia. O resultado mostrou que seis parceiros foram contaminados pelo HIV de pessoas não tratadas. Um estudo feito durante 14 anos na Espanha também foi usado para dar base à decisão dos suíços.
O tema ainda será levado pelas autoridades suíças ao Congresso Anual sobre Aids, que termina hoje, na cidade do México. Cientistas e mesmo a ONU estudam um alerta contra a iniciativa.

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