Suíça decide devolver dinheiro desviado
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 1997
Agência Estado, de Petrópolis 
Marcos Borges/Arquivo FolhaPressaO ministro Reinhold Stephanes afirmou ontem que, com a decisão da justiça suíça, o dinheiro desviado pela máfia da Previdência, já localizado em bancos daquele país, será devolvido imediatamenteO ministro da Previdência Social, Reinhold Stephanes, disse ontem que a Justiça da Suíça determinou a devolução de US$ 4 milhões guardados nos bancos do país e desviados do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). O dinheiro havia sido roubado pelo juiz Nestor José do Nascimento, preso no Rio de Janeiro.
Na saída da reunião com a Inspetoria Geral do INSS, no distrito de Itaipava, o ministro afirmou que, com a decisão, o dinheiro será devolvido imediatamente. O procurador do INSS Zander Martins, responsável pela investigação das fraudes contra a Previdência, informou que a decisão foi dada pela Justiça suíça em dezembro, mas somente na semana passada foi comunicada ao Ministério da Justiça.
De acordo com Zander, o dinheiro havia sido desviado do INSS pelo ex-juiz Nestor José do Nascimento, preso no Rio de Janeiro. O procurador informou que há na Suíça outro pedido de devolução, de US$ 15 milhões, conseguidos por meio de fraudes pelo advogado Ilson Escóssia da Veiga, que também cumpre pena no Rio. Segundo o procurador, em 30 dias, o Tribunal de Justiça do Rio deve informar o número de uma conta bancária para que os US$ 4 milhões sejam devolvidos.
Stephanes informou que o governo brasileiro vai contratar uma empresa de investigação para localizar o dinheiro obtido através de fraudes aplicadas na previdência e guardado em bancos norte-americanos pela advogada Jorgina Fernandes. O ministro calcula que U$ 30 milhões estejam em bancos dos EUA.
A empresa de investigação escolhida deverá ser a norte-americana Kroll Associated, que já trabalhou para o Senado durante o processo de impeachment do presidente Fernando Collor e é considerada a melhor do ramo.
A contratação ainda não foi definida porque não ficou acertado se ela vai ser feita via Ministério do Exterior ou da Previdência.
À tarde, o ministro Reinhold Stephanes encontrou-se com o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Thiago de Mello.
O ministro pediu a Mello que designasse o Instituto Nacional de Seguridade Social ou alguma outra instituição como administradora dos imóveis comprados por Jorgina no Estado, com o dinheiro das fraudes da previdência - inclusive os que estão em nome de terceiros. É uma questão de cuidar do patrimônio do instituto, explicou.


