Sugestões de workshop serão referencial para políticas amazônicas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de setembro de 1999
Por Liana John 
Macapá, 24 (AE) - Os 180 ambientalistas, pesquisadores e técnicos governamentais reunidos desde segunda feira em Macapá, no workshop da Amazônia, já definiram algumas prioridades para a preservação e uso racional da biodiversidade. O grupo que discutiu as áreas de grande pressão antrópica, por exemplo, delimitou num mapa as áreas onde o governo federal deve tomar medidas imediatas e as áreas que podem esperar ações de médio prazo. Para as áreas críticas os especialistas recomendam ações em 2 ou 3 anos, para as medianamente críticas 5 anos e para as demais, de risco futuro, de 5 a 8 anos. Estas e outras sugestões finais do workshop servirão de base para a política nacional de biodiversidade, a ser concluída em um ano, segundo Bráulio Dias, do Ministério do Meio Ambiente.
Formado por 14 especialistas, o grupo tomou por base um mapa de expansão madeireira do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, Imazon; o mapa dos assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra); levantamentos de desmatamentos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, INPE, e avaliações de risco de fogo do Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia, IPAM.
Risco - As regiões cortadas por grandes estradas no eixo Araguaia-Tocantins, entre Cuiabá e Porto Velho, entre Cuiabá e Santarém e na Transamazônica (de Altamira a Itaituba) foram consideradas altamente críticas. No local acumulam-se as pressões da exploração madeireira e de novos assentamentos, com maior incidência e risco de fogo. "Em 2 ou 3 anos, no máximo, o governo deveria criar estímulos para o manejo florestal em áreas privadas e reforçar as campanhas preventivas contra o fogo", recomendou Adalberto Veríssimo, do Imazon. Ele se surpreendeu com o grande número de assentamentos oficiais em áreas economicamente inviáveis, de solos pobres, sem possibilidade de escoamento da produção. "É uma agricultura suicida, de empobrecimento dos recursos naturais e das pessoas assentadas", disse.
Nos eixos e pólos de desenvolvimento considerados medianamente críticos - como o oeste do Pará, a ligação Manaus-Boa Vista e a porção não asfaltada da Cuiabá-Santarém - as providências devem ser tomadas em 5 anos. E incluem a criação de florestas para a exploração racional de madeira ou outros produtos, como as Florestas Nacionais (Flonas) e Florestas Estaduais. Estas também devem ser as principais medidas para áreas menos críticas, mas com risco futuro, como o caminho para o Pacífico, através do Acre, que deveria ser precedido de um planejamento ambiental e de medidas para garantir o uso racional da floresta, num período de 5 a 8 anos.
Política - As sugestões finais do workshop serão referencial, por exemplo, para a criação de novas unidades de conservação, para os financiamentos internacionais e apoio financeiro a novos projetos, incluindo os projetos de pesquisa, que recebem recursos do Ministério da Ciência e Tecnologia e das fundações estaduais de amparo à pesquisa. "Não queremos continuar com as mesmas lacunas de conhecimento, constatadas no Workshop 90 (feito em Manaus, em 1990) que ainda persistem, quase 10 anos depois", comentou Dias.
O Ministério do Meio Ambiente deverá firmar com os ambientalistas e pesquisadores um termo no qual se compromete a acatar as prioridades propostas, assim como fez com os participantes de um workshop semelhante, que definiu prioridades de preservação para os cerrados e o Pantanal.


