Brasília, 22 (AE) - A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) passará a atuar também na implementação de projetos de desenvolvimento na região da Amazônia Ocidental, e não só mais na coordenação do pólo industrial instalado na chamada Zona Franca, informou hoje o ministro do Desenvolvimento
Indústria e Comércio, Celso Lafer. O ministro participou, no fim-de-semana, em Manaus, de um encontro dos ministros integrantes do chamado Grupo da Produção com a Superintendência da Suframa e com os governadores da Região Norte.
Lafer explicou que o desenvolvimento da Amazônia pode ser feito utilizando-se um potencial natural da região que ainda não foi bem explorado. Como parte desse potencial, ele mencionou projetos na área agroindustrial, como óleo de palma e de castanha; polpas de frutas tropicais; sucos; sorvetes; refrigerantes; conservas e especiarias.
Também identificou potencial nas áreas de farinhas, aquicultura de peixes e crustáceos; artesanato indígena; biotecnologia, em que há um grande manancial no ramo de fármacos e de essências naturais. O ministro, que visitou o famoso hotel Ariú, instalado sob as árvores em plena selva, citou ainda a área de ecoturismo como outra fonte de rendimentos para a região.
Na reunião de Manaus, da qual também participaram o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, e os secretários-executivos dos ministérios do Orçamento e Gestão, Martus Tavares, dos Transportes, Paulo Fontenelle, e da Ciência e Tecnologia, Carlos Américo Pacheco, foram discutidos ainda com os governadores problemas que dificultam o desenvolvimento da Região Norte, informou Lafer.
Entre esses problemas, o ministro do Desenvolvimento citou sistemas e custos de transportes, tanto rodoviário como rodoviário e hidroviário, e questões ligadas a energia elétrica e telecomunicações.
Lafer informou também que o superintendente da Suframa, Mauro Costa, possui um estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas sobre os projetos que podem ser desenvolvidos na região. Esse levantamento, por sua vez, identifica a produção de guaraná, arroz irrigado, frutas cítricas, palmito de pupunha, óleo de dendê e urucum, como vocações naturiais da região que podem ser aproveitadas com sucesso.
O desenvolvimento desses projetos, segundo o ministro, pode propiciar um desenvolvimento mais integrado da região. Esses produtos também poderão ser direcionados para exportação, somando-se ao chamado Processo Produtivo Básico, projeto coordenado pela Suframa e que exige um conjunto mínimo de obrigações para que as empresas que desejam se instalar na Zona Franca possam usufruir dos incentivos fiscais da Suframa.
Após 32 anos de existência, o governo quer que a Zona Franca de Manaus cumpra a sua finalidade, que é a de se tornar um pólo exportador.
O ministro se disse impressionado com alguns projetos que viu na visita a Manaus. Entre esses, citou o Porto de Itacoatiara (próximo à divisa com o Pará) que recebe a produção de soja do Centro-Oeste que chega até lá através de hidrovias. "É um Brasil real que continua funcionando apesar dos problemas", disse Lafer.
Ele citou também o pólo moveleiro de Itacoatiara, que está sendo construído e cujas empresas desejam contratar um "designer" para que os móveis, produzidos sob o chamado "selo verde" - com manejo adequado da floresta - possam ser exportados futuramente.

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