Suerdieck fecha sua última fabrica de charutos16/Mar, 16:17 Por Biaggio Talento Salvador, 16 (AE) - Maior produtora de charutos e cigarrilhas do Brasil, a Suerdieck, instalada na Bahia havia 106 anos, fechou sua última unidade, na cidade de Cruz das Almas, dispensando os cem funcionários. Desde o inicio dos anos 90 a empresa vinha passando por dificuldades financeiras, acumulando um passivo bancário próximo dos R$ 20 milhões. Mesmo com a crise, a Suerdieck produziu no ano passado cerca de cinco milhões de unidades, bem mais que a segunda maior charuteira baiana, a Menendez-Amerindo, que fabricou cerca de 3 5 milhões. Os problemas da Suerdieck foram provocados por falta de capital de giro para financiar a lavoura de fumo. Isso levou ao fechamento da unidade da cidade de Maragogipe em 92. Mas a situação se agravou com os sucessivos prejuízos da Agro Comercial Fumageira, outra empresa do grupo (que chegou a empregar mais de cinco mil pessoas até o final dos anos 80) responsável pela produção do fumo usado na confecção dos charutos e cigarrilhas. Na ano passado, o grupo não conseguiu plantar fumo, alugando seus campos para outras empresas do setor. Nenhum diretor da Suerdieck quis comentar hoje, fechamento da fábrica de Cruz das Almas para informar se o grupo vai encerrar definitivamente suas atividades. A empresa foi criada por uma família de alemães que se instalou no Recôncavo Baiano no século passado, quando a Bahia iniciou um intenso intercâmbio comercial com a Alemanha. Ao longo dos últimos cem anos, Suerdieck virou sinônimo de qualidade, produzindo um charuto fabricado artesanalmente, apreciado, principalmente, na Europa, e comparável aos famosos cubanos. No ano passado a Bahia produziu cerca de 3,5 mil toneladas de fumo e dez mil unidades de charutos e cigarrilhas. As vendas externas de fumo e charutos chegaram aos US$ 20 milhões e os produtores esperam um aumento de 20% esse ano.

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