Rio, 26 (AE) - O direito de criticar e condenar, tanto em encontros multilaterais como nas sessões da Organização das Nações Unidas (ONU), os países que não cumprem a Declaração Universal dos Direitos Humanos será defendido pela Suécia, inscrita para apresentar o assunto na reunião de segunda-feira (28) dos chefes de Estado e de Governo sobre temas políticos. O discurso do primeiro-ministro sueco, G”ran Persson, poderá causar desconforto para os cubanos, sempre acusados de reincidência no desrespeito aos direitos humanos.
O Brasil também não ficará muito à vontade: na semana passada, foi divulgado um relatório da Anistia Internacional sobre a violação dos direitos humanos nas penitenciárias brasileiras, que apontou a prática sistemática de torturas. "É preciso entender que direitos humanos nunca são um problema nacional, mas internacional, que preocupa a toda comunidade mundial", afirmou a diretora para as Américas do Ministério das Relações Exteriores da Suécia, Gabriella Lindholm. "Os países que assinaram a carta da ONU concordaram com esses valores e têm de admitir a crítica".
Segundo ela, a Suécia participou ativamente da elaboração dos itens sobre direitos humanos, violência contra as mulheres e democracia que constarão da Declaração do Rio. Gabriella não quis adiantar o que seu país conseguiu incluir, porque o texto estava ainda sendo negociado hoje, mas a posição do governo sueco que será apresentada por Persson é possivelmente mais radical. No entanto, o diálogo aberto e franco - o que inclui a crítica - com os países que desrespeitarem os direitos humanos é um item já acordado dentro da União Européia. "Há uma boa perspectiva de que chegaremos a um consenso sobre esses valores com a América Latina", afirmou.
Tradicional defensora dos direitos humanos, a Suécia vai trazer para a Cimeira outro tema polêmico: a pena de morte. Persson defenderá a abolição total, em todo mundo, da pena capital - adotada por vários países participantes do encontro, como Cuba, Guatemala, Jamaica e outras nações caribenhas. "Esse é um tema prioritário para nós", disse Gabriella. O primeiro-ministro também vai falar sobre a necessidade de tratamento igual para homens e mulheres e, mais especificamente, sobre a violência contra a mulher.
Mas os suecos não pretendem apenas criticar os violadores dos direitos humanos. O governo tem a política oficial de apoiar financeiramente programas e instituições que trabalhem com o tema. "Direitos humanos são uma parte importante de nossa política externa e cremos que são a base para o desenvolvimento", afirmou a diplomata.

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