Jacarta, 04 (AE-AP) - O chefe do Estado-maior das Forças Armadas da Indonésia, general Tyasno Sudarto, admitiu hoje (04) que a situação no país ficou "perigosa" diante da negativa do poderoso ministro da Segurança, general Wiranto, de renunciar ao cargo.
Desde a semana passada, o presidente indonésio, Abdurrahman Wahid, vem exigindo a renúncia de Wiranto, ex-comandante militar
depois deste ter sido acusado por investigadores do governo de permitir que as milícias pró-Jacarta devastassem Timor Leste logo após o referendo que decidiu pela independência da ex-colônia portuguesa.
Wiranto, que liderava as Forças Armadas à época, negou toda a responsabilidade pelas atrocidades cometidas. Também se negou a renunciar, tal como havia exigido Wahid.
O presidente indonésio afirmou que destituirá Wiranto do cargo pessoalmente caso ele não renuncie antes de seu retorno de uma viagem oficial pela Europa e ásia. Wahid deve voltar à Indonésia em 13 de fevereiro.
Hoje, o ministro da Defesa, Juwono Sudarsono, afirmou a jornalistas ter transmitido pessoalmente a Wiranto o pedido do presidente, mas que o ministro da Segurança não reagiu diante da ordem.
Ao mesmo tempo, o general Sudarto afirmou que "o Exército indonésio não levará a cabo um golpe de Estado". Mas admitiu que "a situação ficou perigosa e incerta".
Em visita a Bonn, o presidente Wahid também negou qualquer possibilidade de golpe militar contra o seu governo. "Não, não e não", respondeu o mandatário a jornalista que lhe perguntaram sobre a possibilidade de um golpe. Wahid falou à imprensa depois de um encontro com o chanceler alemão, Gerhard Schroeder.

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