Paris - Cientistas russos confirmaram o caráter recente do Santo Sudário, a célebre relíquia católica conservada na Catedral de Turim (norte de Itália) desde 1578, e reafirmaram que o tecido teria sido fabricado na Idade Média.
Em 1988, a pedido do Vaticano, três laboratórios independentes de Oxford (Grã-Bretanha), do Arizona (Estados Unidos) e de Zurique (Suíça) analisaram o tecido e chegaram à conclusão de que a peça de linho foi fabricada durante um período compreendido entre 1262 e 1384.
No entanto, em abril desse ano, dois cientistas russos, Anatoliy Fesenko, especialista forense do Serviço de Segurança Federal russo, e Alexander Belyakov, diretor do Centro Russo para o Sudário de Turim, indicaram que o estudo de 1988 apresentava falhas.
Eles afirmaram que o tecido do século XVI foi contaminado com óleo vegetal (azeite de oliva ou de linhaça), usado na Renascença para restaurar a peça danificada pelo fogo. Isso teria deixado traços de óleo no tecido que distorceram em 1.300 anos a datação do carbono.
Só que, de acordo com outra equipe russa, Fesenko e Belyakov também fizeram os cálculos errados. A dupla, de acordo com este segundo estudo, aparentemente não levou em consideração as diferentes taxas existentes entre dois isótopos, o carbono 14 e o carbono 12, no óleo vegetal. Como resultado, a contaminação por óleo alteraria apenas a datação em apenas 40 anos, no máximo.
A nova pesquisa foi publicada por Dmitry Voronov, da Academia Russa de Ciências, e Vladimir Surdin, do Instituto Shternberg de Astronomia. ''A pesquisa dos dois autores é baseada no erro do trabalho matemático e na patologia'', explica Elena Krasnova, da Agência Informnauka, uma agência de notícias científicas russa.
A tradição católica considera que o Santo Sudário envolveu o corpo de Jesus Cristo depois de sua crucificação e reproduziria sua imagem. O Santo Sudário, objeto de veneração para quem acredita que nele está impressa a imagem de Cristo, aparece citado em inúmeros documentos históricos somente a partir de meados do século XIV, data que foi confirmada pelos analistas que o analisaram com carbono 14 na pesquisa de 1988.
Os estudiosos católicos alegam, no entanto, que a possível contaminação do tecido pode ter falseado os resultados e continuam afirmando que o Sudário é do tempo de Cristo.

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