Belém, 04 (AE) - A funcionária da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), Keila Adriana Rodrigues de Jesus, foi inocentada ontem da acusação de envolvimento na publicação de dois editais falsos no Diário Oficial, que contratavam o ex-jogador de futebol Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, por R$ 500 mil, e a cantora Elba Ramalho, por R$ 800 mil
para participar da festa de aniversário do presidente Fernando Henrique Cardoso. Keila havia sido afastada do trabalho desde o dia 20 passado, mas volta ao Departamento Administrativo do órgão nesta segunda-feira, 7.
O presidente do Conselho Deliberativo da Associação dos Servidores da Sudam, José Maria de Lima, informou já ter tomado conhecimento do resultado da sindicância interna aberta para apurar a participação de servidores no envio dos editais para Brasília através do computador. "Nada ficou provado contra a Keila, que é um funcionária exemplar", disse Lima. A chefe da funcionária, Maria Brígido, disse que Keila está na Sudam há três anos, onde ingressou através de concurso público.
Lima contou que o relatório inocentando a funcionária foi entregue na última quarta-feira ao superintendente do órgão, José Artur Guedes Tourinho. "O resultado dessa sindicância não foi justo, mas justíssimo, porque houve uma manipulação. Conseguiram fabricar uma cortina de fumaça sobre as denúncias de desvio de R$ 133 milhões na Sudam".
Keila foi acusada de usar sua senha para publicar editais que mencionavam a contratação de Pelé e Elba Ramalho sem licitação. Em seu depoimento na sindicância, ela disse que praticava apenas um treinamento quando abriu a tela de seu computador para enviar os editais. O treinamento havia sido feito 15 dias antes por três técnicos do Ministério da Administração e Reforma do Estado (Mare).
Keila estava aprendendo a enviar publicações pelo sistema on-line diretamente para o Diário Oficial da União (DOU). Ela admitiu a possibilidade de ter errado no comando do mouse do computador quando a tela ofereceu a ela a possibilidade de optar pela transmissão simulada ou real. "Nunca pensei que esses editais seriam publicados, porque tudo não passava de um treinamento", resumiu Keila.
A comissão de sindicância foi presidida pelo procurador da Sudam, Alan Lacerda, e dela participaram o economista Wanderley Andrade e o administrador Eloy Cunha. Este último é lotado no mesmo setor onde Keila trabalha. Eles tinham 30 dias para concluir o trabalho, mas tiveram que apressá-lo por determinação do ministro de Políticas Regionais, Ovídio de Angelis.

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