Rio - Durou apenas um dia o reinado do traficante Orlando José Rodrigues, o Soul, de 27 anos, apontado como sucessor do chefe do tráfico na Rocinha, Erismar Rodrigues Moreira, o Bem-Te-Vi, morto pela polícia do Rio na madrugada de sábado. Foi o que afirmaram ontem líderes comunitários da favela da zona sul do Rio.
Eles disseram à polícia que Soul e outros quatro comparsas foram traídos e mortos na madrugada de ontem por integrantes do próprio bando, numa espécie de ''golpe de Estado''. Mas os corpos não foram encontrados. Durante todo o dia, circulou na favela a informação de que o traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, teria sido o responsável pelos assassinatos com a ajuda de um comparsa conhecido como Joca. Os dois teriam assumido o comando do tráfico de drogas na Rocinha.
Apesar da aparente normalidade, o clima era tenso na Rocinha por causa da notícia da morte de Soul. No início da manhã, Sebastião José Filho, presidente de uma das associações de moradores da Rocinha, disse que houve uma troca de tiros de madrugada e que o sucessor de Bem-Te-Vi foi morto pelos comparsas. Teriam sido mortos também bandidos conhecidos como Leleco, Canu, Soldado e Pequeno.
Pequeno seria dono do apartamento utilizado pelos policiais que fizeram a emboscada que terminou com a morte de Bem-Te-Vi. No entanto, o delegado Luís Antônio Ferreira, que chefiou a operação, afirmou que o dono do imóvel não mora na Rocinha e não sabia que se tratava de policiais quando foi procurado para alugar o apartamento. ''Precisamos agora da presença da polícia para dar tranquilidade'', disse o Sebastião José Filho, temendo a invasão da comunidade por quadrilhas rivais a qualquer momento.
Os boatos levaram o comandante da Polícia Militar, coronel Hudson de Aguiar Miranda, à Rocinha. Ele caminhou por algumas ruas e encontrou-se na sede da União Pró-Melhoramentos da Rocinha com William de Oliveira, que reassumiu a presidência da associação depois de ganhar o direito de responder em liberdade um inquérito por associação para o tráfico.
''Vim ouvi-lo porque ele é a voz da comunidade. Estamos desde a madrugada fazendo o reconhecimento da comunidade para tentar confirmar as informações, mas não encontramos corpos'', disse o comandante, que descartou incursões da PM na favela para não expor os moradores ao risco de eventuais confrontos com traficantes.
''Não temos nenhum dado da nossa inteligência que aponte uma invasão externa da Rocinha. Os traficantes que permaneceram depois da morte do Bem-Te-Vi tiveram um desentendimento sobre quem lideraria o tráfico e houve um confronto entre eles de madrugada'', disse o chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins. No entanto, a polícia só reconhece a morte de Soul e dos comparsas com a localização dos corpos. Outros líderes comunitários comentaram que dificilmente serão localizados os corpos, que teriam sido ocultados numa área conhecida como Vila Verde, no alto do morro.

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