Paris, 19 (AE) - A sucessão de Michel Camdessus na direção do Fundo Monetário Internacional (FMI) será um dos temas principais da reunião do G-7, grupo dos países mais ricos do mundo, a partir do dia 22 em Tóquio.
O atual governador do Banco da França, Jean Claude Trichet, surge como um nome de consenso diante das restrições norte-americanas ao subsecretário do tesouro alemão Caio Koch Weser, único candidato declarado, cuja vantagem seria sua dupla nacionalidade alemã e brasileira.
Os norte-americanos alegam que falta peso a essa candidatura, sem grande dimensão internacional e que em nenhum momento entusiasmou os próprios países europeus do G-7 e o Japão, a tal ponto que seu êxito vai depender de esforços políticos do chanceler alemão Gerhard Schroder junto a seus parceiros.
Por enquanto, Trichet afirma não ser candidato à direção do FMI. Até agora, ele imaginava substituir o presidente do Banco Central Europeu, Wim Duisemberg, na metade de seu mandato. Isso porque essa escolha só foi possível após um acordo verbal entre os dirigentes do grupo dos onze países que participam dessa primeira fase de implantação do euro. Ora, Wim Duisemberg não confirma nem desmente a existência desse acôrdo, razão pela qual os franceses estão interessados em garantir a direção do FMI, após Jacques de La Rosiére e Michel Camdessus.
Nesses últimos dias comentou-se muito a possível candidatura de Laurent Fabius, ex-primeiro-ministro de François Mitterrand e atual presidente da Assembléia Nacional francesa; mas ela acabou sendo desmentida, pois representaria o fim de sua carreira política na França aos 53 anos de idade. Outros nomes têm sido citados, entre eles os dos ingleses Kenneth Clarke e Gordon Brown, além do diretor do Tesouro italiano, Mario Draghi.
Se um nome de consenso não for encontrado em Tóquio, o FMI poderá permanecer sem diretor-geral a partir de meados de fevereiro, data anunciada por Camdessus para abandonar suas funções, antes do término de seu mandato.
Por enquanto, as negociações são sigilosas em busca do candidato de consenso e nenhum governo revela seu jogo. Todos, no entanto, fazem a mesma análise: se declarar-se abertamente, o segundo candidato poderá ser rapidamente queimado.
O ideal é surgir como o terceiro nome, o que explica as reticências do governador do Banco da França, Jean Claude Trichet, em confirmar, publicamente, que é candidato à direção do FMI.

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