O subtenente da Aeronáutica Mário Nakano, 49, matou a mulher, os três filhos e se suicidou com um tiro na boca, na manhã de ontem, em São José dos Campos (SP). Antes de atirar na família, Nakano matou o cachorro da casa, possivelmente com uma coronhada na cabeça.
Ele também jogou um bilhete para a casa vizinha, pedindo para que fossem chamados seu irmão, Takao Nakano, a polícia, o Corpo de Bombeiros e o oficial de dia do Centro Técnico Aeroespacial (CTA). A mulher e os filhos de Nakano foram mortos com tiros na cabeça, quando ainda dormiam ou estavam acordando.
A delegada do 1º Distrito Policial de São José dos Campos, Margarete Corrêa Barreto, afirmou não ter dúvidas de que o crime foi ‘‘minuciosamente premeditado’’.
‘‘Aparentemente, ele matou o cachorro antes com uma coronhada para que o animal não fizesse alarde. Em seguida, matou a mulher, os dois filhos homens e, por último, a filha. Todos com tiros certeiros.’’ Segundo a polícia, depois de matar os filhos, Nakano voltou ao quarto de casal, onde se matou ao lado da mulher, na cama.
A mulher, Maria Terezinha Capucho Nakano, 47, e um dos filhos, Cássio, 16, foram mortos com um tiro na cabeça cada um. Clóvis, 19, e Cristiane, 20, foram os únicos a esboçar alguma reação, segundo os peritos. Eles receberam pelo menos dois tiros, na cabeça e no tórax. Cristiane teria sido empurrada na cama pelo pai, antes de ser morta. Segundo a perícia técnica, foram disparados 12 tiros. Nakano recarregou a arma, um revólver calibre 38, pelo menos três vezes.
Os três filhos eram estudantes. Cristiane trabalhava como enfermeira na Santa Casa de Misericórdia de São José dos Campos. Clóvis era praticante de judô, conforme a carteira de associado da Federação Paulista de Judô. Segundo os vizinhos, que não quiseram se identificar, Nakano era uma pessoa calma, normal. A família sempre manteve uma boa relação com a vizinhança, no Jardim Satélite, um bairro de classe média na zona sul da cidade.
A delegada instaurou inquérito sobre o caso e deve fazer a reconstituição do crime esta semana. Segundo Margarete Barreto, Nakano estaria deprimido nos últimos meses. Ele passou para a reserva da Aeronáutica há dois meses. No depoimento prestado no 1º DP, a vizinha Maria Aparecida de Oliveira, que recebeu o bilhete, afirmou apenas ter ouvido os tiros, e imediatamente telefonado para o irmão de Nakano.
A família não quis comentar o caso. Segundo uma sobrinha de Nakano, a família está em estado de choque. ‘‘Não dá para explicar o que aconteceu’’, disse a sobrinha, que se identificou apenas como Edna.

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