Substância reduz em até 30% a mortalidade por insuficiência cardíaca, revela pesquisa
São Paulo, 28 (AE) - Um estudo internacional, que contou com a participação do Brasil, descobriu que uma substância conhecida, chamada espironolactona, reduz em até 30% a mortalidade de pacientes com insuficiência cardíaca. Esse problema atinge entre 10 milhões e 12 milhões de brasileiros. Nos casos mais graves, a solução está no transplante. Com o uso da substância, os médicos podem estabilizar o estado do paciente sem que haja a necessidade de cirurgia.
A pesquisa, coordenada no Brasil por José Antonio F. Ramires, cardiologista do Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, avaliou 1.663 pacientes de 15 países. No Brasil, 372 doentes foram acompanhados por 34 médicos de vários Estados. Segundo Ramires, o estudo constatou que a espironolactona, produzida comercialmente pelo Laboratório Searle, com a marca Aldactone, reduziu o risco da progressão da insuficiência cardíaca em 34%.
Quando um paciente tem insuficiência cardíaca, o corpo tenta compensar a falta de força com que o coração bombeia o sangue. Para isso, produz aldosterona, que retém água no corpo, o que ajuda o bombeamento, mas provoca fibrose no coração, piorando o quadro do paciente. A fibrose é um processo de cicatrização que, quando ocorre em excesso, como no caso da insuficiência cardíaca, passa a ser agressivo ao corpo.
O Aldactone bloqueia os receptores de aldosterona nas células, impedindo, assim, que a substância atue no corpo. "Esse remédio abre espaço para uma nova classe de remédios que não se conhecia antes do Aldactone e que poderá ajudar muito os pacientes cardíacos", disse Ramires. (G.S.)





