Brasília, 12 (AE) - A inalação continuada de poeira de amianto pode provocar pelo menos três tipos de doenças graves, que muitas vezes chegam a matar. Segundo estimativas da Fundacentro, cerca de 300 mil brasileiros estão expostos, direta ou indiretamente, à inalação continuada dessas partículas.
A mais séria das "doenças do amianto" é o mesotelioma, um tipo de câncer de pleura (membrana que envolve o pulmão), com índice de letalidade de quase 100%. Metade dos casos da enfermidade registrados no País está associada ao amianto.
A asbestose é, porém, a mais conhecida de todas as doenças associadas à substância. Trata-se de uma fibrose pulmonar caracterizada pelo endurecimento dos tecidos desse órgão, com perda progressiva da sua capacidade de absorver oxigênio.
Pode causar a morte por insuficiência respiratória. Não tem tratamento nem cura e costuma manifestar-se cerca de 20 anos após o início da exposição.
O detalhe perverso é que a asbestose evolui mesmo depois de interrompida a exposição. Por isso, a maior parte dos diagnósticos é de ex-trabalhadores da indústria do amianto, alguns dos quais afastados do setor há mais de dez anos.
"Nos casos moderados ou graves, a doença está relacionada em geral à causa mortis do paciente", diz Eduardo Algrante, pneumologista e pesquisador da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro).
Outra doença de alta mortalidade relacionada ao amianto é o câncer de pulmão, que aparece, em geral, cerca de 30 anos após a exposição inicial. Como a asbestose, o câncer pode surgir anos depois da exposição.
"O tempo total de exposição pode ter sido de meses ou anos, não importa; a doença é determinada mais pelo tipo de fibra inalada e pela suscetibilidade individual", explica Algrante.
Menos graves, há três outras doenças ligadas ao amianto: o surgimento de placas pleurais, o espessamento dessa membrana e derrames nessa região.

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