Subsídio agrícola na Europa não será discutido, diz alemão
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quinta-feira, 24 de junho de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 25 (AE) - A menos de 72 horas do início da conferência dos chefes de Estado e de governo da Cimeira, permanecem divergências em torno da abrangência das negociações que serão fechadas na reunião. O embaixador da Alemanha para a América Latina, Georg Boomgaarder, um dos coordenadores do encontro, afirmou hoje que a Cimeira não é uma conferência unicamente econômica e que a questão dos subsídios agrícolas europeus, considerados obstáculos à entrada de produtos do Mercosul na Europa, só poderá ser discutida após abril de 2000.
Suas declarações contrastaram com as de outro coordenador, o brasileiro Luiz Augusto de Castro Lima, que se mostrou mais otimista e defendeu o avanço nas discussões sobre livre-comércio.
O alemão explicou que em abril de 2000 será realizada em Berlim uma grande reunião da Agenda 2000 na Europa, onde poderá ser mudado o sistema agrícola europeu, caracterizado por altos subsídios à agricultura local, que tornam produtos agropecuários importados pela União Européia pouco competitivos. "Sem isso, é muito difícil negociar com o Mercosul", explicou.
A questão é de forte interesse para a América Latina, cujos produtos agropecuários são atingidos pelas medidas protecionistas da UE. Segundo ele, após a reunião as negociações poderão ser feitas, dependendo das mudanças políticas que ocorrerem. "Não são os chefes de Estado que negociam, são os negociadores", ponderou. Para ele, "o principal documento da Cimeira será uma declaração política".
Neves afirmou acreditar que as trocas internacionais poderão se expandir muito mais e de forma equilibrada, se ocorrem medidas de liberalização. Ele lembrou que, desde o início dos anos 90, as vendas da UE para o Mercosul cresceram 334%, contra um aumento de menos de 30% no sentido inverso. "É preciso equilibrar essas cifras", afirmou.
Ele lembrou que o México já está em fase mais avançada nas negociações com a UE. Suas palavras foram apoiadas por outro brasileiro, José Alfredo Graça Lima, subsecretário-geral de Assuntos de Integração, Econômicos e de Comércio Exterior do Itamaraty.
"Uma área de livre-comércio ou esforços para liberalização comercial não excluem outros assuntos", afirmou. "São repercussões de toda ordem." Lima afirmou que é a liberalização que traz o equilíbrio e a possibilidade de avanço. Ele reconheceu que interessa ao Mercosul entrar na discussão sobre reforma na política agrícola, inclusive na Organização Mundial de Comércio (OMC).
Declaração - Em entrevista ao lado do alemão e do mexicano Carlos de Icaza, outro dos coordenadores, Neves explicou que o documento principal, a declaração política - cujo nome, provavelmente, será Declaração do Rio de Janeiro - está "98% pronto". "O que resta são problemas que podem ser resolvidos por negociação", afirmou ele, sem entrar em detalhes.
Sucinto, o texto deverá ter de seis a oito páginas, com os compromissos políticos dos chefes de Estado e de governo com relação à proposta de intensificar a cooperação bilateral.
Os diplomatas que preparam o encontro se concentraram hoje no documento anexo à declaração, "Prioridades Para Ação Conjunta", que é mais trabalhoso e complexo, por detalhar como será, concretamente, como serão as ações de cooperação entre a União Européia e a América Latina e Caribe. "Trabalhamos toda a manhã no documento, o texto começa a ser acordado", disse Neves. "Já avançamos muito na redação.
Esperamos até amanhã de manhã completar o trabalho preparatório." Um dos pontos que serão mais fortemente abordados será a intensificação do intercâmbio nos campos da educação e dos direitos humanos, com trocas de experiências, por exemplo, com relação à proteção à mulher e segurança.
Neves fez questão de ressaltar que não só a América Latina e o Caribe vão aprender com os europeus. "Todos têm a aprender com todos", afirmou. Ele também afirmou que a prioridade para os direitos humanos a ser aprovada no encontro é perfeitamente compatível com o programa do governo brasileiro na área.


