Subsídio a ônibus foi de R$ 480 milhões
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2000
Por Luciana Garbin 
São Paulo, 23 (AE) - A Prefeitura de São Paulo gastou em cada dia do ano passado R$ 1.672.050,00 com subsídios ao sistema de ônibus. Com esse dinheiro, seria possível construir duas escolas de educação infantil. Os dados vieram de análises feitas por funcionários do gabinete da vereadora Ana Maria Quadros (PSDB).
Segundo os cálculos, no ano passado, R$ 479,9 milhões foram usados para compensar a diferença entre o que as empresas arrecadam com a tarifa e o que gastam. Esse valor, ainda de acordo com a equipe da parlamentar, é três vezes os R$ 155 milhões gastos em 1998. O valor é quase seis vezes mais do que o aprovado no Orçamento - R$ 80 milhões.
Se forem considerados outros itens, como subvenção à São Paulo Transporte (SPTrans), gestão do sistema e serviços de gerenciamento, chega-se a um valor total de R$ 610 milhões. O Orçamento era de R$ 147 milhões.
Para este ano, a previsão é de que os gastos com subsídios fiquem em torno de R$ 46 milhões. A Assessoria de Imprensa da SPTrans revelou que em janeiro foram utilizados R$ 10 milhões, aproximadamente.
"Constata-se que os gastos com subsídios ao sistema de transporte de ônibus de São Paulo correspondem a 9,43% da receita total do Município", afirma a vereadora Ana Maria. "Com despesas dessa magnitude e considerando o alto valor das tarifas cobradas dos passageiros, fica a questão: como o sistema de transporte coletivo da cidade pode ser tão caótico?"
Erundina - Procurado pela reportagem no fim da tarde de hoje, o secretário de Comunicação Social da Prefeitura, Antenor Braido
contestou os dados do gabinete da vereadora Ana Maria. Ele se comprometeu a apresentar hoje números oficiais da Secretaria Municipal de Finanças.
Braido lembrou que os contratos de subsídios às empresas foram assinados em 1991 pela então prefeita Luíza Erundina com a municipalização dos transportes.
Mudança - A SPTrans publicou em janeiro edital de licitação que vai modificar o sistema de exploração de linhas de ônibus da capital. As empresas selecionadas vão passar a operar em regime de concessão. Em vez de receber subsídios da Prefeitura, como é feito atualmente, terão direito apenas à quantia arrecadada com a venda de bilhetes.
O sistema passa a valer a partir do próximo ano, mas os subsídios começam a acabar este mês, com o fim dos contratos antigos.


