Rio, 23 (AE) - As mudanças na Petrobrás não terminarão amanhã (24), com a nomeação do novo presidente e do Conselho de Administração. Nos próximos dias, além do afastamento de toda a diretoria, os presidentes e vice-presidentes das cinco subsidiárias deverão ser substituídos.
Entre eles está Joel Mendes Rennó que, apesar de ter deixado a presidência da holding, continua como presidente da Braspetro, o braço internacional da Petrobrás, que atua em 30 países e tem como vice-presidente José Coutinho Barbosa, que preside interinamente a companhia há 15 dias.
Atualmente, todas as subsidiárias são presididas por diretores da companhia. O diretor financeiro, Orlando Galvão, está à frente da BR Distribuidora, a maior distribuidora de combustíveis do País; o diretor comercial, Percy Louzada, acumula as presidências da Petroquisa, que atua na área química e petroquímica, e da Gaspetro, criada para gerenciar atividades ligadas ao gás natural; Arnaldo Leite Pereira, diretor de Transportes, foi nomeado presidente da Transpetro, que administra a rede de dutos e a frota de petroleiros.
Todos serão exonerados dos cargos, que não voltarão a ser ocupados por diretores da empresa.
Amanhã, para que o banqueiro Henri Philippe Reichstul assuma a presidência da estatal, será necessária uma nova alteração no estatuto, que não estava prevista inicialmente. No estatuto atual, o artigo 25, que seria mantido pelo governo, diz que "os membros da direção deverão ser brasileiros, domiciliados no País e de reconhecida capacidade técnica ou administrativa". Reichstul nasceu na França e é naturalizado brasileiro.
Com o novo estatuto cairá também uma proibição que vigora desde a criação da Petrobrás, em 1953: a compra de ações com direito a voto por estrangeiros. Com isso, as ações ordinárias da Petrobrás poderão ser negociadas na Bolsa de Nova York.
Estudos para o lançamento das American Depositary Receipts (ADR) estão em tramitação na estatal, com a adaptação das contas da companhia ao sistema contábil usado nos Estados Unidos.
Protesto - Em protesto contra a abertura promovida na Petrobrás, sindicalistas fazem amanhã uma manifestação em frente à sede da empresa, três horas antes da assembléia-geral extraordinária, marcada para as 15 horas. "Vamos protestar contra o que pode ser o início da entrega da Petrobrás aos estrangeiros", diz Laerte Ferreira, diretor do Sindicato Nacional do Petroleiros.
O governo vai manter o controle da empresa, detendo 50% mais uma ação com direito a voto. Hoje pertencem à União 84% do capital acionário e a venda do excedente está sendo analisada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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