Rio, 03 (AE) - Uma denúncia de grampo telefônico ilegal feita pelo subsecretário Luiz Eduardo Soares -a interceptação seria operada por agentes da área de informações do governo- abriu uma crise na Secretaria da Segurança Pública do Rio. Uma auditoria será aberta no Centro de Inteligência e Segurança Pública (Cisp) para apurar a acusação de Soares.
O subsecretário afirma ter sofrido ameaças, trocou números de telefone, não fala com auxiliares pelo celular e evita reuniões em sua sala. O governador Anthony Garotinho (PDT) disse ter sabido do problema pela imprensa e que seus aparelhos sofrem varreduras, mas nada foi descoberto.
Soares é um professor da área de Ciências Sociais, defensor da política de respeito aos direitos humanos, contrário à violência policial e com crescente prestígio com o governador . É de Soares o projeto de modernização e informatização das delegacias da Polícia Civil, conhecido como Delegacia Legal, um dos outdoors do atual governo.O Cisp foi criado na administração passada e concentra agentes da área de informações, inclusive do Exército. Seus integrantes já foram acusados de truculência e ilegalidade.
Os dois grupos estavam em confronto há algum tempo. As divergências levaram ao pedido de demissão do coronel Romeu Ferreira, diretor do Cisp até a semana passada. Soares e Ferreira chegaram a discutir na presença do secretário, general José Siqueira. As informações de que os telefones de Soares estariam grampeadas teriam sido levadas ao subsecretário por agentes do próprio Cisp.
Mudanças - Uma varredura da Polícia Civil encontrou indícios de que a informação poderia ser verdadeira. Agora o Cisp deverá ser esvaziado. Alguns de seus agentes serão transferidos para a recém-criada Central de Inteligência da Polícia Civil.

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