Brasília, 08 (AE) - A subprocuradora-geral da República, Delza Curvello Rocha, confirmou hoje, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara, que não interpôs nenhuma denúncia contra o ex-governador do Acre Orleir Cameli, em pelo menos cinco inquéritos que a Polícia Federal (PF0 enviou ao Ministério Público (MP). A subprocuradora-geral disse que está esperando os resultados da CPI, que, na avaliação dela, podem trazer novos elementos para embasar as denúncias. Nos últimos dias, Delza virou o pivô de uma crise no MP, por achar que há um setor "truculento e arbitrário" na instituição, que supostamente constrange os investigados.
A subprocuradora-geral confirmou que até hoje não apresentou denúncia sobre o inquérito de contrabando em que Cameli trouxe do exterior um Boeing cheio de mercadorias, em 1996. O procurador da República Luiz Francisco de Souza havia insinuado na CPI do Narcotráfico que a Procuradoria-Geral da República (PGR) vem obstruindo a tramitação destes processos contra Camelli. Delza disse não saber onde está o Boeing cheio de mercadorias. A subprocuradora disse que tentou processar Camelli quando este era governador, mas que a Assembléia Legislativa do Acre não autorizou. Delza admitiu que, depois de vencido o mandato, não tomou a iniciativa de processar o ex-governador. Quando os parlamentares insistiram numa resposta sobre a inexistência de processo contra Camelli, Delza disse que estava esperando os resultados da CPI, que poderia supostamente acrescentar informações para embasar as denúncias. Apesar de toda a documentação dos inquéritos estar com ela mesma, Delza admitiu que foi à PF esta semana se informar sobre os inquéritos contra Camelli, para ter certeza se nenhum foi arquivado pela corporação.
Delza, no entanto, não sabe quando vai apresentar pelo menos uma denúncia contra Camelli. "Não sei onde é que eu estarei amanhã", disse, sorrindo. Ela deixou a entender que não pode antecipar nenhuma informação para não assustar os envolvidos. "Quem quer pegar a galinha não diz xô", afirmou a procuradora. O deputado Fernando Ferro (PT-MG) perguntou à subprocuradora-geral por que o MP não apresentou denúncia em pelo menos uma das 304 ações interpostas pelo PT, a grande maioria de supostas irregularidades do governo. Delza disse que não tem uma visão ampla de todo o MP para responder a este tipo de questão.
Uma das poucas respostas claras de Deuza foi para uma pergunta sobre a liberação de recursos às obras irregulares do Fórum trabalhista de São Paulo. Delza foi acusada pela procuradora Maria Luisa Duarte de "atuação descabida", que teria ampliado o rombo dos cofres públicos. Delza disse que "o Ministério Público não pode constranger qualquer órgão público mediante recomendação", mas tem de "recorrer ao Judiciário". Segundo Delza, havia lei que liberava o orçamento e sobre a qual não cabia questionamento via recomendação do MP.

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